Profissionais – Área Médica

O objetivo dessa sessão do site é proporcionar uma discussão continuada e baseada em evidências científicas entre as Disfunções Temporomandibulares e áreas da Medicina as quais de verificam inter-relações com essa especialidade da Odontologia: Neurologia, Otorrinolaringologia e Reumatologia. Dessa forma, periodicamente serão realizadas atualizações através de publicações relevantes em periódicos nacionais e internacionais, acerca dessas inter-relações. Qualquer dúvida ou sugestões visite a sessão Contato! Será um prazer ajudá-lo!

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Prevalence of parafunctional habits and temporomandibular dysfunction symptoms in patients attending a tertiary headache clinic

OBJETIVO: Investigar as formas mais comuns de dor de cabeça em um ambulatório terciário, e avaliar a freqüência de hábitos parafuncionais e sintomas de Disfunção Temporomandibular (DTM) associados.
MÉTODO: Todos os novos pacientes encaminhados para o ambulatório do Serviço de Cefaléia da Unimes, em 2008, foram avaliados prospectivamente pelo neurologista e cirurgião-dentista.
RESULTADOS: Oitenta novos pacientes foram avaliados: migrânea crônica e migrânea episódica sem aura foram as condições mais prevalentes, correspondendo a 66,3% dos casos. Houve significativamente maior utilização de analgésicos/dia em pacientes com migrânea crônica. A prevalência de hábitos parafuncionais foi de 47,5% e a prevalência de sintomas de DTM foi de 35%.
CONCLUSÃO: A alta prevalência de cefaléias primárias, hábitos parafuncionais e sintomas da DTM e da utilização inadequada de analgésicos sugere que as unidades de cuidados de saúde primários apresentam necessidade de um maior treinamento no campo da dor de cabeça e dor orofacial.

Fragoso, Y.D.; Alves, H.H.; Garcia, S.O.; Finkelsztejn, A. Prevalence of parafunctional habits and temporomandibular dysfunction symptoms in patients attending a tertiary headache clinic. Arq Neuropsiquiatr. 2010 Jun;68(3):377-80.
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Signs of temporomandibular disorders in migraine patients: a prospective, controlled study

OBJETIVOS: identificar os sinais de Disfunção Temporomandibular (DTM) e dor cervical em indivíduos com migrânea episódica (ME) e crônica (MC) (transformada), em relação aos controles sem dores de cabeça.
MÉTODOS: Neste estudo prospectivo, controlado, duplo-cego, foram examinados 93 indivíduos, divididos em 3 grupos: migrânea episódica (n = 31), migrânea crônica (n = 34) e grupo controle sem cefaléia (n = 28). Foram analisados os sinais de DTM e dor no pescoço, após o protocolo de Helkimo (1974). Foi calculado o odds ratio (OR) e intervalos de confiança (IC) de sintomas como uma função do estado de dor de cabeça. Os dados de todos os grupos foram emparelhados. O nível de significância foi de 5%.
RESULTADOS: Em relação aos controles, os participantes com ME e MC foram significativamente mais propensos a ter sensibilidade nos músculos da mastigação [controles = 28%, migrânea = 54% (OR = 3.0, IC 95% = 1,1-8,9), MC = 73 % (OR = 6,9, IC 95% = 2,3-21,2)], e na Articulação Temporomandibular [controles = 25%, migrânea = 61% (OR = 4,7, IC 95% = 1,5-14,5), MC = 61% (OR = 4,8, IC 95% = 1,6-14,5)]. Eles foram numericamente (mas não de forma significativa) mais propensos a ter limitações nos movimentos laterais da mandíbula (MC = 34%; ME = 26%; NP = 18%), ruídos articulares (CM = 44%; EM = 29%; NP = 28%) e sensibilidade nos músculos do pescoço (CM = 64%; EM = 51%; NP = 35%).
CONCLUSÃO: Em uma população de nível terciário, os indivíduos com ME e MC são mais propensos a ter sensibilidade na Articulação Temporomandibular e nos músculos mastigatórios, em relação aos controles. Estudos são necessários para investigar se o tratamento de uma desordem irá melhorar a outra condição.

Stuginski-Barbosa, J.; Macedo, H,R.; Bigal, M.E.; Speciali, J.G. Signs of temporomandibular disorders in migraine patients: a prospective, controlled study. Clin J Pain. 2010 Jun;26(5):418-21.
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Chronic Headache and Comorbibities: A Two-Phase, Population-Based, Cross-Sectional Study

ANTECEDENTES – Estudos utilizando recursos de um programa público de saúde da família para estimar a prevalência de cefaléia crônica diária (CCD) estão faltando.
OBJETIVOS – Estimar a prevalência em 1 ano de CCD, bem como a presença de comorbidades como distúrbios psiquiátricos e Disfunções Temporomandibulares (DTM), na totalidade de uma população da zona rural do Brasil.
MATERIAIS E MÉTODOS – Este foi um estudo transversal, de base populacional e em 2 fases. Na primeira fase, os agentes de saúde entrevistaram todos os indivíduos com mais de 10 anos, em uma área rural do Brasil. Na segunda etapa, todos os indivíduos que relataram dores de cabeça, em 4 ou mais dias por semana foram avaliados por uma equipe multidisciplinar. Cefaléias crônicas diárias foram classificadas de acordo com a segunda edição da Classificação Internacional de Transtornos da Cefaléia (ICHD-2). Cefaléias associadas ao uso excessivo de medicação, de acordo com o ICHD-2, foram diagnosticadas após o processo de desintoxicação. Comorbidades psiquiátricas e DTM foram diagnosticados com base no DSM-IV e no RDC/TMD, respectivamente.
RESULTADOS – Um total de 1.631 indivíduos participou das entrevistas. Destes, 57 (3,6%) tiveram CCD. Os transtornos psiquiátricos foram observados em 38 indivíduos (67,3%) com CCD, enquanto que DTM foram observadas em 33 pessoas (58,1%) com diagnóstico de CCD.
CONCLUSÕES – A prevalência da CCD na área rural do Brasil é semelhante ao que tem sido relatado em estudos anteriores. Uma proporção significativa delas apresenta comorbidades psiquiátricas e/ou DTM.

DA SILVA JR, A.; et al. Chronic Headache and Comorbibities: A Two-Phase, Population-Based, Cross-Sectional Study. Headache. 2010 Feb 12. [Epub ahead of print].
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Temporomandibular joint internal derangement: association with headache, joint effusion, bruxism, and joint pain

OBJETIVOS: o objetivo do presente estudo foi avaliar a correlação de alterações internas da ATM em pacientes com presença de cefaléias, bruxismo e dor articular utilizando imagens de ressonância magnética.
MATERIAIS E MÈTODOS: o estudo avaliou 42 ATMs em 42 pacientes; 21 pacientes apresentavam diagnóstico de alterações internas na ATM unilateral e cefaléias e 21 pacientes apresentavam também alterações internas na ATM, porém sem histórico de cefaléias. Sinais de dor de cabeça, bruxismo e dor articular foram diagnosticados clinicamente e também foram obtidos a partir do histórico do paciente. Dezesseis ATMs em 16 pacientes sem sinais ou sintomas de DTM ou dor de cabeça foram incluídos como grupo controle. Todos os pacientes foram submetidos a ressonância magnética bilateral da ATM para avaliar a posição do disco e a presença de derrame articular.
RESULTADOS: O bruxismo foi mais freqüentemente relatado por pacientes com cefaléia (p <0,0125). Oitenta e cinco por cento de indivíduos com cefaléia também relataram dor articular. Uma associação significativa foi encontrada entre cefaléia e derrame articular (p <0,0125). Pacientes com deslocamento de disco mais graves também tiveram uma maior freqüência de derrame (p = 0,001).
CONCLUSÃO: Os resultados sugerem que derrames articulares podem ter um papel na patogênese de cefaléias em situações de alterações internas da ATM.
SIGNIFICADO CLÍNICO: Derrame articular verificado em imagens de ressonância magnética pode servir como um marcador biológico de cefaléia associada com DTM e pode ser útil para a classificação diagnóstica e tratamento.

COSTA, A.L.; D`ABREU, A.; CENDES, F. Temporomandibular joint internal derangement: association with headache, joint effusion, bruxism, and joint pain. J Contemp Dent Pract. 2008 Sep 1;9(6):9-16.
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Development of temporomandibular disorders is associated with greater bodily pain experience

OBJETIVOS: O objetivo deste estudo é analisar a diferença no relatório de dor corpórea experimentada por pacientes que desenvolvem Disfunções Temporomandibulares (DTM) e por aqueles que não desenvolvem DTM durante um período de observação de 3 anos.
MATERIAIS E MÉTODOS: Este é um estudo prospectivo de 3 anos, sendo a amostra formada por 266 mulheres com idades entre 18 e 34 anos, inicialmente livre de dor por DTM. Todos os pacientes completaram o Questionário Relatório de Sintomas (QRS) no início e em intervalos anuais, e no momento em que desenvolveram DTM (se aplicável). O QRS é um instrumento de auto-avaliação sobre a extensão e a localização da dor nos seis meses anteriores. A análise estatística foi realizada através do método ANOVA.
RESULTADOS: Durante o período de três anos, 16 pacientes desenvolveram DTM baseado no Research Diagnostic Criteria (RDC) para DTM. Os participantes que desenvolveram DTM relataram mais dores de cabeça (P = 0,0089), dor ou sensibilidade muscular (P = 0,005), dor  ou sensibilidade articular (P = 0,0012), dor nas costas (P = 0,0001), dor torácica (P = 0,0004), dor abdominal (P = 0,0021) e dor menstrual (P = 0,0036) do que os participantes que não desenvolveram DTM, tanto nas visitas iniciais quanto nas finais. Os participantes que desenvolveram DTM também relataram significativamente mais dor de cabeça (P = 0,0006), dor ou sensibilidade muscular (P = 0,0059), e outras dores (P = 0,0188), quando foram diagnosticados com DTM comparado com a visita inicial.
DISCUSSÃO: O desenvolvimento de DTM foi acompanhado por aumentos de dores de cabeça, dor ou sensibilidade muscular e outras dores que não foram observadas nos participantes que não desenvolveram DTM.

LIM, P.F.; SMITH, S.; BHALANG, K.; SLADE, G.D.; MAIXNER, W. Development of temporomandibular disorders is associated with greater bodily pain experience. Clin J Pain. 2010 Feb;26(2):116-20.
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Efficiency of occlusal appliance therapy in secondary otalgia and temporomandibular disorders

Na prática clínica é comumente assumido que as placas oclusais têm valor terapêutico no tratamento de Disfunções Temporomandibulares (DTM), mas evidências científicas baseadas em estudos clínicos randomizados são escassas. Este estudo avaliou a eficácia a curto prazo (10 semanas) de uma placa oclusal de estabilização em pacientes com otalgia secundária recorrente e com necessidade de tratamento ativo para DTM, através de um estudo clínico randomizado, controlado e duplo-cego. Trinta e seis pacientes foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos de tratamento: grupo placa de estabilização e grupo placa controle. Após 10 semanas de tratamento, a intensidade de otalgia secundária, medida em uma escala visual analógica (0-100 mm), apresentou uma diminuição estatisticamente significativa no grupo que utilizou placa de estabilização (t 2,12, P 0,006), mas não no grupo controle. Melhorias no grupo tratamento ativo para DTM em indivíduos com sinais e sintomas moderados ou graves de DTM foram relatadas significativamente de forma mais freqüentes no grupo com placa de estabilização do que no grupo controle (5,71 x2, P.017). Uma diminuição estatisticamente significativa no índice clínico de disfunção de Helkimo foi observada em indivíduos com placa de estabilização (Z-2,63; P.009), mas não nos indivíduos com placa controle. Os resultados indicam que o uso de uma placa de estabilização é benéfico no que diz respeito à otalgia secundária e necessidade de tratamento ativo para DTM.

KUTTILA, M.; LE BELL, Y.; SAVOLAINEN-NIEMI, E.; KUTTILA, S.; ALANEN, P. Efficiency of occlusal appliance therapy in secondary otalgia and temporomandibular disorders. Acta Odontol Scand. 2002 Aug;60(4):248-54.

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Characteristics of subjects with secondary otalgia

OBJETIVOS: investigar se a otalgia secundária está associada com desordens da coluna cervical (DCC), Disfunções Temporomandibulares (DTM), ou ambos, e descrever as características da dor e da comorbidade de otalgia secundária em indivíduos com e sem DCC e DTM.
MATERIAIS E MÉTODOS: Um questionário foi enviado a uma amostra aleatória de 2.500 pessoas com idades entre 25 e 65 anos, sendo que no total, 1.720 responderam ao mesmo. Os critérios de inclusão foram: dor dentro ou ao redor do ouvido sem infecção, tumor ou trauma, de 6 ou mais meses de duração, e uma freqüência de dor de pelo menos uma vez por mês. No total, 152 participantes preencheram totalmente os critérios, e destes 100 participaram dos exames clínicos e entrevistas.
RESULTADOS: Com base em exames padronizados e entrevistas, 91 indivíduos apresentaram otalgia secundária e 9 tinham otalgia primária. A maioria (85%) dos 91 indivíduos com otalgia secundária também apresentavam sinais e sintomas de DTM e/ou DCC e foram classificados em 3 grupos: DCC (35%), DTM (20%), ou grupo combinado, ou seja, com sinais e sintomas de DTM e DCC conjuntamente (30%). Indivíduos sem DCC ou DTM (15%) relataram o mesmo nível de intensidade e impacto da otalgia na vida diária e estresse psicológico como os outros, mas dores na cabeça e pescoço menos freqüentes e menos problemas relacionados ao sono.
CONCLUSÕES: A maioria dos indivíduos que relataram otalgia secundária também sofreu com desordens da coluna cervical ou Disfunções Temporomandibulares ou ambos. Assim, em pacientes com otalgia secundária, um exame da coluna cervical e do sistema estomatognático deve ser realizado rotineiramente.

KUTTILA, S.; KUTTILA, M.; LE BELL, Y.; ALANEN, P.; SUONPAA, J. Characteristics of subjects with secondary otalgia. J Orofac Pain. 2004 Summer;18(3):226-34.
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[The "Costen Syndrome" - Which Symptoms Suggest that the Patient may Benefit from Dental Therapy?]

INTRODUÇÃO: Desde os anos trinta a hipótese de uma conexão direta entre as Disfunções Temporomandibulares (DTM) e otalgia/zumbido tem sido discutida. A tese dessa possível conexão é freqüentemente chamada de “Síndrome de Costen”. Esta revisão tem o objetivo de elucidar o estado atual da discussão do ponto de vista odontológico.
DTM E ZUMBIDO/OTALGIA: A ocorrência de DTM e zumbido por uma causa subjacente comum ainda não está provada. Em contraste, um nexo de causalidade entre determinadas formas de DTM e otalgia é óbvio.
CONCLUSÃO: A falta de definições claras e padronizadas para o diagnóstico de DTM é o principal impedimento para provar uma relação causal, especialmente entre DTM e otalgia. Contudo, pacientes que procuram cuidados para otalgia sem causa otológica identificável, podem se beneficiar da terapia dental. Por isso, estudos futuros devem focar em subgrupos bem definidos de DTM para investigar a ligação entre otalgia/zumbido e DTM.

SEEDORF, H.; LEUWER, R.; FENSKE, C.; JUDE, H.D. [The "Costen Syndrome" - Which Symptoms Suggest that the Patient may Benefit from Dental Therapy?] Laryngorhinootologie. 2002 Apr;81(4):268-75.

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Prevalence of otologic complaints in patients with temporomandibular disorder

A prevalência de 4 queixas otológicas foram avaliadas em 200 pacientes com Disfunções Temporomandibulares (DTM), bem como a relação das queixas otológicas com os subgrupos de DTM, sendo que esses resultados foram comparados a um grupo controle sem sinais e sintomas de DTM. Da amostra com DTM analisada, verificou-se que 77,5% apresentavam ao menos uma queixa otológica. Já 22,5% dos pacientes com DTM relatou não apresentar nenhuma queixa otológica. Otalgia, zumbido, vertigem e perda auditiva foram relatadas por 63,6%, 59,1%, 50% e 36,4%, respectivamente, dos indivíduos com dor miofascial e disfunção; por 46,1%, 44,2%, 32,5% e 22% dos pacientes alterações internas da ATM, e por 62,5%, 45,8%, 41,6% e 20,8% dos pacientes que apresentavam conjuntamente dor miofascial e disfunção e alterações internas da ATM.  Já no grupo controle os índices achados foram: otalgia (8%), zumbido (26%), vertigem (14%) e perda auditiva (14%), demonstrando estatisticamente que o esse grupo apresentou menos queixas otológicas. Pelos resultados dos estudos, os autores concluíram que os grupos com DTM apresentavam maior incidências de queixas otológicas do que o grupo controle.

TUZ, H,H.; ONDER, E.M.; KISNISCI, R.S. Prevalence of otologic complaints in patients with temporomandibular disorder. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2003 Jun;123(6):620-3.
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Assessment of temporomandibular and cervical spine disorders in tinnitus patients

No tratamento de pacientes com Disfunções da Articulação Temporomandibular (ATM) verifica-se que queixas como zumbido e vertigem são comuns nesses pacientes, bem como tensão muscular mandibular e no pescoço. Durante o tratamento para DTM notou-se que a infiltração muscular com lidocaína no músculo pterigóideo lateral, acarretou melhora da condição muscular bem como redução da queixa de zumbido durante a ação do anestésico. A avaliação de 39 pacientes com zumbido demonstrou que 10 apresentavam zumbido bilateral e sintomas de DTM. Muitos desses pacientes também tinham sintomas de problemas em outras regiões como coluna cervical, cabeça, pescoço e ombro. Os resultados demonstraram que um terço dos pacientes poderia influenciar o zumbido pela movimentação mandibular e 75% poderia provocar vertigem pela movimentação da cabeça e do pescoço. Já o tratamento das desordens mandibulares e do pescoço em 24 pacientes com Doença de Ménière teve um efeito benéfico não somente em relação a vertigem episódica, mas também no zumbido e plenitude aural. Ao final de 3 anos de acompanhamento, a intensidade de todos os sintomas foi significativamente reduzido.

BJÖRNE, A. Assessment of temporomandibular and cervical spine disorders in tinnitus patients. Prog Brain Res. 2007; 166: 215-9.
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Application of ICHD-II criteria for headaches in a TMJ and orofacial pain clinic

O objetivo do estudo foi identificar e diagnosticar os tipos de cefaléias em uma amostra de pacientes de uma clinica de Disfunções Temporomandibulares e Dor Orofacial utilizando os critérios da segunda edição da Classificação Internacional de Cefaléias. Em 502 pacientes com disfunção temporomandibular e dor orofacial, 246 pacientes (49%) foram diagnosticados com cefaléia do tipo tensional (CTT), seguido de migrânea sem aura (14,5%), provável migrânea (12,9%), migrânea com aura (7%), provável CTT (4,8%) e cefaléia em salvas (0,2%). A prevalência de dor de cabeça foi comparada entre pacientes do sexo masculino e feminino, e a prevalência de migrânea foi mais elevada nas mulheres do que nos homens. Na avaliação por faixa etária, a prevalência de migrânea foi maior nos pacientes em seus 20 e 30 anos e diminuiu com o aumento da idade acima de 40 anos. A CTT apresentou a maior taxa em todos os grupos etários, mas também diminuiu com o aumento da idade. Dos pacientes com cefaléia, 81,1% apresentaram dor no músculo masseter e 47,8% dor no músculo temporal. Este achado sugere que a dor muscular pericranial pode ser um fator desencadeante de cefaléia primária.

KANG, J.K.; RYU, J.W.; CHOI, J.H.; MERRILL, R.L.; KIM, S.T. Application of ICHD-II criteria for headaches in a TMJ and orofacial pain clinic. Cephalalgia. 2009 Apr 30. [Epub ahead of print].
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Temporomandibular disorders and cutaneous allodynia are associated in individuals with migraine

O objetivo do estudo foi avaliar e contrastar a ocorrência de alodínia cutânea em indivíduos com migrânea que apresentavam ou não Disfunções Temporomandibulares (DTM). Tanto a alodínia como sinais e sintomas de DTM são freqüentes em indivíduos com migrânea e podem estar associadas com a transformação da migrânea de episódica para crônica. Além disso, a presença de DTM pode contribuir para o aparecimento de alodínia e estar associada a ocorrência de cefaléias mais severas. A amostra do estudo, constituída de pacientes com migrânea episódica, foi avaliada em relação a DTM através do RDC/TMD e em relação a alodínia através do Allodynia Symptom Checklist (ASC-12). Dentre 55 pacientes avaliados, 40 (73%) tinham DTM (23 classificados pelo RDC/TMD como miofascial e 17 com o tipo misto – miofascial e articular). A alodínia cutânea de qualquer gravidade ocorreu em 40% daqueles sem DTM (grupo referência), em 86,9% dos pacientes com DTM miofascial e em 82,3% dos pacientes com DTM mista. Os indivíduos com DTM foram mais propensos a apresentar alodínia cutânea moderada a severa associada a cefaléias. Nos testes quantitativos sensoriais os limiares de calor e de nocicepção mecânica foram significativamente menores em indivíduos com DTM, ao passo que os limiares ao frio não apresentaram diferenças significativas em pacientes com migrânea com ou sem DTM. Pelos achados do estudo, DTM e alodínia cutânea estão associados em indivíduos com migrânea.

BEVILAQUA-GROSSI, D.; LIPTON, R.B.; NAPCHAN, U.; GROSBERG, B.; ASHINA, S.; BIGAL, M.E. Temporomandibular disorders and cutaneous allodynia are associated in individuals with migraine. Cephalalgia. 2009 Jul 9. [Epub ahead of print].
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Pressure pain thereshold in patients with tension type headache and temporomandibular dysfunction

O objetivo deste estudo foi avaliar a evolução do limiar de dor muscular, através da algometria de pressão (LDP) e palpação manual (PM), dos músculos masseter e temporal em 20 pacientes portadores de disfunção temporomandibular (DTM). Todos participantes apresentavam queixa de cefaléia por mais de 6 meses, com características de cefaléia tensional e foram avaliados antes e dois meses após receberem como terapêutica, uma placa oclusal. A intensidade da cefaléia foi avaliada pela escala analógica visual (EAV) e a freqüência, pelo relato do número de episódios de dor por semana. Os resultados evidenciaram redução estatisticamente significante (p<0,05) para intensidade e freqüência das dores de cabeça. Houve elevação do limiar de dor a pressão (LDP) dos músculos temporal direito (p = 0,027), temporal esquerdo (p=0.004) e masseter esquerdo (p= 0,025). Não foi encontrada diferença estatisticamente significante para palpação manual dos quatro músculos avaliados. Através de auto-avaliação, 60% dos pacientes relataram cura ou muita melhora dos episódios de dor e 15% relataram pouca melhora ou terapêutica sem efeito após 2 meses de uso da placa oclusal.

GOMES, M.B.; GUIMARÃES, F.C.; GUIMARÃES, S.M.R.; CLARO NEVES, A.C. Pressure pain thereshold in patients with tension type headache and temporomandibular dysfunction. Cienc Odontol Bras. 2006 out./dez.; 9 (4): 84-91.

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[Ear symptoms accompanying temporomandibular joint diseases]

OBJETIVOS: foram investigados sintomas otológicos em pacientes com Disfunções Temporomandibulares (DTM). MATERIAIS E MÉTODOS: o estudo incluiu 44 pacientes (26 mulheres, 18 homens, idade média 36 + / -10,7 anos; intervalo entre 21 a 58 anos) com DTM articulares. Foi aplicado a esses pacientes um questionário para avaliação de queixas otológicas. RESULTADOS: Em 11 pacientes se observou DTM articular bilateral. Acompanhando sintomas otológicos foram observados: estalidos durante movimentação mandibular (n=21; 47.7%), cefaléia (n=15; 34.1%), dor na orelha com movimentos da mandíbula (n = 14; 31,8%), zumbido (n = 8; 18,2%), plenitude auricular (n = 6; 13,6%), vertigem ou tontura (n = 6; 13,6%) e perda auditiva (n = 3; 6,8%). CONCLUSÃO: Nossos resultados sugerem que os sintomas otológicos podem acompanhar Disfunções da ATM, necessitando que os pacientes que apresentam sintomas otológicos devem ser investigados para disfunções das articulações temporomandibulares.

KAYGUSUZ, I.; KARLIDAĞ, T.; KELEŞ, E.; YALÇIN, S.; YILDIZ, M.; ALPAY, H.C. [Ear symptoms accompanying temporomandibular joint diseases]. Kulak Burun Bogaz Ihtis Derg. 2006;16(5):205-8.
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Associação entre otalgia, zumbido, vertigem e hipoacusia com desordens temporomandibulares

Devido à coexistência de sinais e sintomas não específicos com outros bem estabelecidos no contexto das desordens temporomandibulares, torna-se difícil para o clínico decidir o que realmente deve ser incluído no diagnóstico e plano de tratamento. Este trabalho teve por objetivo avaliar, por meio de uma revisão da literatura, a importância da ocorrência dos sintomas aurais de otalgia, zumbido, vertigem e hipoacusia em pacientes com desordem temporomandibular. Ainda que muitas teorias tenham sido relatadas para explicar a relação entre os sintomas aurais e as desordens temporomandibulares, a ampla variação entre os resultados dos estudos revisados dificulta o estabelecimento da prevalência desses sintomas concomitantemente às desordens temporomandibulares. Além disso, essa ocorrência não necessariamente implica em uma relação de causa-efeito. Devido às dificuldades de diagnóstico da relação entre os achados, diferentes tipos de tratamentos devem ser considerados para que os sintomas não específicos das desordens temporomandibulares também sejam efetivamente controlados. É imprescindível que o cirurgião-dentista conheça as possíveis etiologias dos sintomas aurais para saber se há uma provável associação com as desordens temporomandibulares e, assim, incluí-los no plano de tratamento.

URBAN, V.M.; NEPPELENBROEK, K.H.; PAVAN, S.; ALENCAR JÚNIOR, F.G.P.; JORGE, J.H.; ALMILHATTI, H.J. Associação entre otalgia, zumbido, vertigem e hipoacusia com desordens temporomandibulares. RGO. 2009; 57(1): 107-115.

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Distúrbio Têmporo-mandibular como causa de otalgia: um estudo clínico

Introdução: desde que a síndrome de Costen foi descrita em 1934, os distúrbios têmporo-mandibulares (DTMs) têm sido responsabilizados pela origem ou agravamento de sintomas auriculares. Material e método: Este estudo analizou, prospectivamente, pacientes com otalgia encaminhados ao Departamento de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em um período de três meses. Resultados: Entre 523 pacientes avaliados, 90 apresentaram DTM isolada (com ausência de patologia Otológica), com marcante predominância feminina (relação masculino: feminino de 1:4,2) e de indivíduos na 4á década de vida (26,7%). Os sintomas freqüentemente associados com DTMs foram: cefaléia (54,4%), zumbido (51,14/0), percepção de ruído de ATM (37,8%) e alteração de equilíbrio (31,1%). O estado dentário apresentou alterações em 80% dos pacientes, com má oclusão observada em 63,3%. Palpação dolorosa de estruturas têmporo-mandibulares foi verificada em 55,6% dos casos. Conclusão: Os autores concluem que a DTM é uma causa freqüente de otalgia, especialmente em indivíduos do sexo feminino, na 4á década de vida, e chamam a atenção dos otorrinolaringologistas para a importância do diagnóstico e manuseio adequado destes pacientes.
D’ANTONIO, W.E.P.A. Distúrbio Têmporo-mandibular como causa de otalgia: um estudo clínico. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. 2000; 66(1): 46-50.

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Interação entre cefaléias e disfunção temporomandibular: uma revisão da literatura

Disfunção temporomandibular (DTM) é um termo coletivo para os problemas clínicos que envolvem a musculatura da mastigação, a articulação temporomandibular (ATM) e as estruturas associadas. A cefaléia é um sintoma que aparece freqüentemente associado à DTM. Estudos epidemiológicos indicam forte associação entre dor de cabeça e DTM, porém essa interação ainda é passível de discussões. Para esta revisão, foram levantados artigos relevantes do tema, publicados na base de dados PubMed entre os anos de 1982 e 2008. Um dos principais achados apresentados é que parece haver uma importante interação no processamento das dores provenientes das cefaléias primárias e da DTM. Estudos têm mostrado que a fisiopatologia de ambas está intimamente relacionada com os núcleos do nervo trigêmeo. Neurônios no núcleo caudado trigeminal integram informações aferentes vindas de tecidos intra e extracranianos. Com base nessas investigações, observa-se que, apesar de vários mecanismos distintos estarem presentes na fisiopatologia das cefaléias e da DTM, as alterações ocorridas no sistema nervoso central têm fundamental papel na patogênese dessas queixas. Os dados levantados na literatura atual suportam uma estreita inter-relação entre cefaléias primárias e DTM. Por serem freqüentemente coexistentes, o conhecimento da sua inter-relação torna-se fundamental para a determinação de estratégias preventivas ou de tratamento da população. Ainda há necessidade de estudos populacionais e longitudinais para esclarecer a relação entre a fisiopatologia das cefaléias e a da DTM.

FRANCO, A.L.; GODOI, D.A.; CASTANHARO, S.M.; CAMPARIS, C.M. Interação entre cefaléias e disfunção temporomandibular: uma revisão da literatura. Revista de Odontologia da UNESP. 2008; 37(4): 401-406.

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Prevalência de portadores de DTM em pacientes avaliados no setor de otorrinolaringologia

A interação entre disfunção temporomandibular e otalgia é, mesmo nos dias atuais, motivo para especulações e hipóteses. Vários pesquisadores sugerem causas, conseqüências e supostos tratamentos.
OBJETIVO: Verificar a prevalência de pacientes portadores de DTM em um serviço de otorrinolaringologia.
TIPO DE ESTUDO: Este é um estudo epidemiológico do tipo descritivo com amostra transversal.
MATERIAL E MÉTODO: Foram avaliados 221 pacientes do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital da Cidade, em Passo Fundo, Rio Grande do Sul, durante um período de dois meses. Para captação e interpretação dos dados, bem como verificação da disfunção temporomandibular, foi utilizado um questionário auto-aplicado previamente validado.
RESULTADO: Após coleta e interpretação dos dados de 221 pacientes, os resultados obtidos foram: 48 pacientes (21.72%) considerados como necessitando de tratamento para DTM (índice de DTM moderada e severa), dos quais 35 pertenciam ao gênero feminino (72.9%) e 13 ao masculino (21.1%). Apenas 15 indivíduos do total (7.24%) estavam totalmente livres de sintomas de DTM. Quanto aos demais, apresentaram: dor de cabeça (33,5%), dor no pescoço e ombro (28,5%), dor na região do ouvido (29%) e ruídos articulares (25%).
CONCLUSÃO: A prevalência de DTM foi de 21.72% sendo significantemente maior no gênero feminino (p: 0.0001); e as prevalências, em relação aos índices, foram: DTM ausente 37.56%; DTM leve 40.72%; DTM moderada 19%, e DTM severa 2.72%.

SILVEIRA, Alexandra Magalhães et al . Prevalência de portadores de DTM em pacientes avaliados no setor de otorrinolaringologia. Rev. Bras. Otorrinolaringol.,  São Paulo,  v. 73,  n. 4, ago.  2007.

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Otologic symptoms of temporomandibular disorder and effect of orofacial myofunctional therapy

DE FELICIO et al., 2008, investigaram a freqüência de sintomas otológicos e sua relação com sinais e sintomas de Disfunções Temporomandibulares, bem como os efeitos de uma terapia orofacial miofuncional. A amostra do estudo foi constituída por 20 pacientes com DTM articular, divididos de forma randomizada em 2 grupos: um que recebeu tratamento e outro que não o recebeu, que constituiu o grupo controle. Além disso, também foi monitorado 8 pacientes que não apresentavam nenhum sinal e sintoma de DTM. O critério diagnóstico adotado foi o RDC/TMD, sendo que avaliações clínicas e eletromiográficas foram realizadas ao início e no final do estudo. Na fase de diagnóstico, indivíduos com DTM relataram dor de ouvido (65%) e zumbido (60%) e 25% indivíduos assintomáticos reportaram zumbido. Os sintomas otológicos estiveram associados com sensibilidade dos músculos e articulações temporomandibulares e com sintomas orofaciais. Apenas o grupo tratamento mostrou redução dos sintomas otológicos e orofaciais, demonstrando que o tratamento pode ajudar na coordenação muscular e na remissão dos sintomas de DTM.

DE FELÍCIO, C.M.; MELCHIOR, M.O.; FERREIRA, C.L.; DA SILVA, M.A. Otologic symptoms of temporomandibular disorder and effect of orofacial myofunctional therapy. Cranio. 2008 Apr;26(2):118-25.

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Temporomandibular Joint Herniation Into the External Auditory Canal

A comunicação das estruturas da Articulação Temporomandibular (ATM) com o canal auditivo externo (CAE) ocorre como conseqüência de um defeito ósseo na sua parece ântero-inferior. Neoplasias, traumas, doenças inflamatórias e congênitas, são causas potenciais de defeitos ósseos. O objetivo do artigo é apresentar um paciente com forame de Huschke persistente, que consiste em uma causa congênita rara de comunicação entre a ATM e o CAE.
Esse forame está presente durante o desenvolvimento embriológico do osso temporal, e seu fechamento ocorre normalmente durante os primeiros 5 anos de idade. Em adultos, a persistência do forame de Huschke pode causar complicações como inflamações do ouvido médio e externo, artrite infecciosa, hérnias e fístulas. O reconhecimento desse defeito ósseo é crucial para prevenir complicações iatrogênicas, principalmente relacionadas a procedimentos cirúrgicos e invasivos, como a artroscopia da ATM. Os sintomas mais comuns são a otorréia, otalgia, zumbido e perda de audição. A maior parte dos pacientes são mulheres, com acometimento geralmente unilateral e a média de idade é 55 anos.
No artigo é demonstrado através de imagens de tomografia computadorizada e de ressonância magnética um caso clínico de forame de Huschke persistente.

TOYAMA, C.; DA SILVA, C.J.; FUGITA, D.Y.A.; SCAPINI, F. Temporomandibular Joint Herniation Into the External Auditory Canal. Otol Neurotol. 2009 Apr;30(3):426-7.

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Otologic symptom improvement through TMD therapy

Em algumas situações da presença de sinais e sintomas de Disfunções Temporomandibulares (DTM) juntamente com sintomas otológicos, questiona-se a efetividade do tratamento para DTM na melhoria das queixas otológicas. Assim, WRIGHT, 2007, realizou um estudo verificando quais os sintomas otológicos experimentariam uma melhora após o tratamento dos sintomas de DTM. A amostra foi constituída por 200 pacientes que apresentavam como queixas zumbido, otalgia, tonturas e/ou vertigens, os quais realizaram testes clínicos para predispor quais desses sintomas responderiam de forma positiva a uma terapia conservadora para DTM. Após a conclusão do tratamento para DTM verificou-se melhoras significativas nos sintomas relacionados a zumbido, otalgia, tonturas e vertigens de 83%, 94%, 91%, e 100%, respectivamente. Dessa forma, o questionamento de pacientes que apresentam conjuntamente DTM e sintomas otológicos torna-se importante na avaliação de quais os sintomas tem uma maior possibilidade de obtenção de benefícios pela terapia para DTM.

WRIGHT, E.F. Otologic symptom improvement through TMD therapy. Quintessence Int. 2007 Oct;38(9):e564-71.

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Desordem Temporomandibular: relações entre sintomas otológicos e orofaciais

Os sintomas otológicos são freqüentes em pacientes com desordem temporomandibular, e estudos são necessários para elucidar os mecanismos envolvidos.
OBJETIVO:
O objetivo desse estudo clínico foi investigar a associação de sintomas otológicos (otalgia, zumbido e plenitude auricular) com os achados audiológicos, os outros sinais/sintomas relacionados à desordem temporomandibular, e os hábitos parafuncionais orais.
FORMA DE ESTUDO:
Prospectivo clínico.
MATERIAL E MÉTODO: 27 pacientes com desordem temporomandibular, da Clínica de Oclusão da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, responderam um questionário sobre sinais, sintomas e hábitos orais, e passaram por avaliações otorrinolaringológica e audiológica. Os dados foram analisados pelos testes Binomial, Exato de Fisher e correlação produto-momento de Pearson. O índice de significância adotado foi p<0,05.
RESULTADOS: Os sintomas otológicos foram presentes em 88,88% dos pacientes (59,26% apresentavam otalgia, 74,07% zumbido e 74,07% plenitude auricular). Não houve associação significante entre os sintomas otológicos e os achados audiológicos. Houve associação significante entre os sintomas otológicos e os movimentos mandibulares e funções (falar, abrir e fechar a boca). Houve também correlações significantes entre o grau de severidade dos sintomas otológicos e o grau de outros sinais/sintomas de desordem temporomandibular; e entre o sintoma plenitude auricular e número de hábitos parafuncionais.
CONCLUSÃO: Este estudo fornece sustentação adicional à noção de que há relação entre desordem temporomandibular e sintomas otológicos. Nos pacientes com desordem temporomandibular as alterações do sistema estomatognático, como a dor orofacial e a dificuldade nas atividades funcionais, foi associada de modo significante aos sintomas otológicos.

FELICIO, Cláudia Maria de et al . Desordem Temporomandibular: relações entre sintomas otológicos e orofaciais. Rev. Bras. Otorrinolaringol.,  São Paulo,  v. 70,  n. 6, dez.  2004 .

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Prevalência dos sintomas otológicos na desordem temporomandibular: estudo de 126 casos

INTRODUÇÃO: A presença de sintomas otológicos associados à desordem temporomandibular (DTM) é discutida há seis décadas; entretanto, sua etiologia ainda permanece obscura.
FORMA DE ESTUDO: Prospectivo clínico randomizado.
OBJETIVO: Neste estudo foram avaliadas a prevalência de sintomas otológicos na DTM, sua correlação com a dor muscular e a ausência de dentes posteriores.
MATERIAL E MÉTODO: Foram avaliados 126 pacientes portadores de DTM, através de questionário subjetivo dos sintomas, palpação dos músculos de mastigação, temporal, masséter, pterigóideo lateral, pterigóideo medial, digástrico, tendão do músculo temporal e dos músculos esternocleidomastóideo e trapézio. Foram feitas radiografias panorâmica e transcraniana e modelos de gesso das arcadas superior e inferior dos pacientes. Os dados obtidos foram analisados através do Teste Exato de Fisher, com percentil de significância menor que 0,05.
RESULTADOS: Houve presença de sintomas otológicos em 80% dos pacientes, sendo que 50% apresentavam dor referida em ouvido; 52%, plenitude auricular; 50%, tinitus; 34%, tontura; 9%, sensação de vertigem; e 10% relataram hipoacusia. O músculo pterigóideo lateral foi o músculo mais sensível em 94% dos pacientes, seguido do músculo temporal em 69%, masséter em 62%, digástrico em 60%, pterigóideo medial em 50%, tendão do músculo temporal e esternocleidomastóideo em 49% e trapézio em 42% dos pacientes. Houve significância para dor muscular, e a presença de sintomas otológicos, nos músculos masséter e esternocleidomastóideo. Os sintomas tinitus, plenitude auricular e dor referida em ouvido apresentaram alta correlação de significância entre si. Não houve significância para a ausência de dentição e sintomas otológicos.
CONCLUSÃO: 1) Dor referida em ouvido, tínitus, plenitude auricular e tontura foram prevalentes; 2) os sintomas otológicos presentes na DTM podem estar relacionados com a dor muscular em masséter e esternocleidomastóideo; 3) não houve correlação entre os sintomas otológicos e a ausência de dentes posteriores.

PASCOAL, Maria I. N. et al . Prevalência dos sintomas otológicos na desordem temperomandibular: estudo de 126 casos. Rev. Bras. Otorrinolaringol.,  São Paulo,  v. 67,  n. 5, set.  2001 .

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Resultados do tratamento a curto e longo prazo de uma terapia com dispositivos em pacientes com DTM de origem muscular e cefaléia do tipo tensional

EKBERG & NILNER, 2006, em um RCT, prospectivo e controlado, avaliaram os efeitos a curto e longo prazo de um dispositivo de estabilização e um aparelho de controle, em pacientes com dor miofascial e, que apresentavam CTT episódica ou crônica. Uma amostra de 60 pacientes com DTM e CTT, foi dividida de forma randomizada entre os grupos tratamento (dispositivo de estabilização) e controle (aparelho controle). Esses pacientes foram avaliados através de questionários acerca de sintomas de cefaléias e dor miofascial, e exame clínico em relação à sensibilidade muscular. Reavaliações foram realizadas 10 semanas e 6 e 12 meses depois do início das terapias. Após 10 semanas de tratamento, 17 pacientes do grupo controle solicitaram a troca de grupo e, passaram para o grupo tratamento, enquanto um paciente do grupo controle retirou-se durante o estudo. Os resultados demonstraram que houve diferenças significativas em relação às melhorias para a cefaléia, entre os grupos tratamento e controle durante as reavaliações. Assim, o dispositivo de estabilização parece apresentar um efeito positivo em relação à CTT, tanto em curto quanto em longo prazo, em pacientes com DTM de origem miofascial.

EKBERG, E.C.; NILNER, M. Treatment outcome of short- and long-term appliance therapy in patients with TMD of myogenous origin and tension-type headache. J Oral Rehabil. 2006 Oct;33(10):713-21.
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Headache and Symptoms of Temporomandibular Disorder: An Epidemiological Study

Em um estudo epidemiológico transversal, GONÇALVES et al., 2009, avaliaram a prevalência de migrânea, cefaléia do tipo tensional episódica (CTTE) e cefaléia crônica diária (CCD), bem como de sintomas de Disfunções Temporomandibulares em uma população adulta. Uma amostra de 1230 indivíduos foi analisada em relação as DTM por critérios adotados pela Academia Americana de Dor Orofacial e as cefaléias foram classificadas de acordo com a Classificação Internacional de Cefaléias. Os resultados demonstraram que quando ao menos um sintoma de DTM ocorria, verifica-se a presença de qualquer tipo de cefaléia em 56,5% da amostra, frente a 31,9% naqueles sem sintomas de DTM. Já quando existia a presença de 2 sintomas, os percentuais de alteravam para 65,1% à 36,3% e na quando existia 3 ou mais sintomas as diferenças foram mais pronunciadas: 72,8% à 37,9%. Pela análise dos resultados do estudo, obteve-se que os sintomas de DTM são mais comuns em situações de migrâneas, CTTE e CCD em relação a indivíduos sem cefaléias, sendo que a magnitude da associação é mais elevada para a migrânea.

GONÇALVES, D.A.; BIGAL, M.E.; JALES, L.C.; CAMPARIS, C.M.; SPECIALI, J.G. Headache and Symptoms of Temporomandibular Disorder: An Epidemiological Study. Headache. 2009 Sep 14. [Epub ahead of print].

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Relationship of temporomandibular disorders to muscle tension-type headaches and a neuromuscular orthosis approach to treatment

COOPER & KLEINBERG, 2009, procuraram avaliar a inter-relação cefaléias e a prevalência de Disfunções Temporomandibulares (DTM), bem como se o tratamento dos sinais e sintomas de DTM acarreta a resolução ou diminuição das cefaléias. Na literatura existe uma substancial quantidade de evidências que associam de forma positiva DTM e a prevalência de cefaléias, em especial as do tipo tensional. Já as evidências para uma relação de causa e efeito foi forte. De modo geral, em inúmeros pacientes foi verificado que o tratamento das DTM resultou em melhora significativa do estado fisiológico do sistema mastigatório (músculos, ATMs e oclusão dentária). A redução ou resolução de cefaléias do tipo tensional musculares devido ao tratamento foi clinicamente significativa, levando aos autores a considerar que as DTM podem ser um possível fator causal de cefaléias. Além disso, o tratamento precoce de cefaléias reduz o seu potencial de progressão para uma situação crônica.

COOPER, B.C.; KLEINBERG, I. Relationship of temporomandibular disorders to muscle tension-type headaches and a neuromuscular orthosis approach to treatment. Cranio. 2009 Apr;27(2):101-8.

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Cefaléias e disfunções temporomandibulares estão relacionadas? Um estudo cego

BALLEGAARD et al., 2008, em um estudo cego procuraram avaliar a relação e a prevalência de DTM em pacientes com cefaléias. A amostra foi constituída por 99 pacientes portadores de cefaléias e que foram avaliados quanto a DTM através do RDC/TMD. A prevalência de DTM observada foi de 56.1%, sendo que não houve diferenças estatísticas na prevalência de DTM entre os grupos de cefaléias e, a prevalência teve uma tendência de ser maior em pacientes com migrâneas e CTT combinadas, podendo essa associação ser um fator de risco para o desencadeamento de DTM. Os achados do estudo demonstram que uma alta proporção de pacientes com cefaléias tem uma comorbidade maior devido à presença de dor crônica por DTM. Devido a essa situação, torna-se importante a avaliação do paciente com cefaléia em relação a sinais e sintomas de DTM, abordando o paciente de uma forma multidisciplinar para obtenção de melhores resultados.

BALLEGAARD, V.; THEDE-SCHMIDT-HANSEN, P.; SVENSSON, P.; JENSEN, R. Are headache and temporomandibular disorders related? A blinded study. Cephalalgia. 2008; 28(8):832-41.
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Resultados do tratamento para cefaléia após terapia com aparelho oclusal em um estudo controlado randomizado em pacientes com disfunções temporomandibulares de origem articular

EKBERG et al., 2002, em um RCT avaliaram a presença de cefaléia do tipo tensional (CTT) antes e após um tratamento com dispositivo de estabilização ou um aparelho de controle em pacientes com DTM de origem articular. A amostra foi constituída por 60 pacientes com DTM articular, que apresentavam episódios de CTT diários ou eventuais, e foram divididos de forma randomizada, entre o grupo tratamento (dispositivo de estabilização) e o grupo controle (aparelho controle). As reavaliações foram realizadas 10 semanas, 6 e 12 meses após o início dos tratamentos. Quando da reavaliação após 10 semanas de terapia, os pacientes que relataram efeitos negativos ou algum desconforto associados aos dispositivos utilizados no tratamento, tiveram um reajuste dos mesmos. Já pacientes que necessitaram de outro tratamento, receberam dispositivos de estabilização (21 pacientes do grupo controle) e formaram um grupo misto. No acompanhamento após 10 semanas de estudo, uma diferença estatisticamente significativa foi observada em relação aos episódios de cefaléia entre os grupos tratamento e controle. Já na reavaliação aos 6 e 12 meses foi verificada uma redução estatisticamente significativa no número de episódios de cefaléia nos grupos tratamento e misto. Pela análise dos resultados, o dispositivo de estabilização apresenta um efeito positivo na freqüência de episódios de CTT, em curto e longo prazo, em pacientes com DTM de origem articular.

EKBERG, E.; VALLON, D.; NILNER, M. Treatment outcome of headache after occlusal appliance therapy in a randomised controlled trial among patients with temporomandibular disorders of mainly arthrogenous origin. Swed Dent J. 2002;26(3):115-24.
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Avaliação dos sinais e sintomas de disfunções temporomandibulares em crianças com cefaléias

OBJETIVO: Avaliar a presença de sinais e sintomas de disfunção temporomandibular (DTM) em crianças com cefaléias em um ambulatório de neuropediatria.
MÉTODO: Foram examinados 50 pacientes com idade entre 4 e 18 anos, 31 com cefaléias (24 com enxaqueca, 4 com cefaléia tensional e 3 com cefaléia inespecífica) e 19 do grupo controle. Os dados compreenderam um questionário estruturado respondido pelos pais e uma avaliação subjetiva sobre o estado emocional das crianças. Foi aplicado um questionário específico para DTM e realizado um exame clínico dental. Foram considerados como sinais de DTM: limitação da abertura bucal, desvio da trajetória ao abrir a boca e ruído articular. Quanto aos sintomas, foram considerados: dor à palpação dos músculos masseter e temporal e na articulação temporomandibular.
RESULTADOS: Foi encontrado um aumento significante de sinais e sintomas de DTM em pacientes com cefaléias quando comparados com o grupo controle. Houve, também, uma diferença significante de sinais e sintomas de DTM de acordo com a idade (aumento com a idade) e estado emocional (tenso>calmo).
CONCLUSÃO: Há maior freqüência de sinais e sintomas de DTM no grupo de pacientes pediátricos com cefaléias, sendo importante avaliar essa patologia nessa população.

BERTOLI, Fernanda Mara de Paiva et al . Evaluation of the signs and symptoms of temporomandibular disorders in children with headaches. Arq. Neuro-Psiquiatr.,  São Paulo,  v. 65,  n. 2A, jun.  2007.

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Análise dos índices de Helkimo e craniomandibular para diagnóstico de desordens temporomandibulares em pacientes com artrite reumatóide

OBJETIVO: O estudo teve como finalidade avaliar a utilização de dois índices (Helkimo e craniomandibular) para o diagnóstico da desordem temporomandibular (DTM) em pacientes com Artrite Reumatóide (AR).
MATERIAIS E MÉTODOS: A amostra foi de 80 pacientes divididos em dois grupos: pacientes com AR e pacientes sem AR. Em ambos os grupos os dois índices foram utilizados. No diagnóstico da DTM foram avaliados os seguintes sinais e sintomas: dor na ATM; limitação de abertura de boca e ruídos articulares.
RESULTADOS: Os resultados mostram que dos pacientes com AR 87,1% eram do gênero feminino e 12,9% do masculino. Entre os pacientes sem AR, 70% eram do gênero feminino e 30% do masculino. A idade dos pacientes com AR variou de 24 a 78 anos. Entre os pacientes sem AR, a idade variou de 22 a 72 anos. Foi verificado que a prevalência de DTM foi mais elevada no grupo de pacientes com AR (98,6% – Helkimo e 87,1% – craniomandibular) do que no grupo sem a doença (80% – Helkimo e 50% – craniomandibular).
CONCLUSÃO: Em resumo, temos que ambos os índices são capazes de diagnosticar a desordem temporomandibular em pacientes com AR, entretanto o Índice de Helkimo é menos preciso.

CUNHA, Suzana C. da et al . Análise dos índices de Helkimo e craniomandibular para diagnóstico de desordens temporomandibulares em pacientes com artrite reumatóide. Rev. Bras. Otorrinolaringol.,  São Paulo,  v. 73,  n. 1, fev.  2007 .

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