Publicações

Nessa sessão é possível acessar matérias e notícias atuais relevantes na temática das Disfunções Temporomandibulares e Dor Orofacial, bem como a áreas associadas. O intuito dessa sessão do site é disponibilizar informações publicadas recentemente em jornais e revistas, com o enfoque para o público leigo nessa temática. Além disso, nessa parte do site serão publicadas reportagens e entrevistas em jornais e revistas com o Dr. Eduardo Machado.

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Dor Orofacial – Entrevista com o Dr. José Tadeu Tesseroli Siqueira

Quando se fala em dor orofacial, a primeira lembrança que nos ocorre é a dor de dente, uma dor às vezes lancinante, difícil de suportar. Não faz tanto tempo assim, a única solução para minorar o sofrimento era extrair o dente comprometido. Por isso, raríssimas pessoas chegavam à maturidade sem usar dentadura.
No entanto, especialmente se são difusas e recorrentes, as dores orofaciais podem ser sintoma de muitas outras doenças. Neoplasias de cabeça e pescoço, leucemia, neuralgia do trigêmeo estão entre as enfermidades que têm a dor como queixa inicial do paciente.
O diagnóstico requer cuidado e experiência profissional. Nem sempre é fácil distinguir a dor de dente das neuralgias, mas é possível. Talvez seja esse um bom caminho para evitar extrações e padecimento desnecessários.

Drauzio - O que se entende por dor orofacial?
José Tadeu - Chamamos de dor orofacial a que provém dos dentes, da boca e dos maxilares. Sem dúvida, a mais freqüente delas é a dor de dente.

DrauzioQual é a explicação para os dentes provocarem dores tão intensas?
José Tadeu - Embora a estrutura do dente seja pequena, é anatômica e neuralmente complexa. Ele possui uma caixa externa dura, semelhante ao osso, constituída pela dentina e pelo esmalte. Em seu interior, há um canal por onde passam só vasos e nervos. Inflamação dentro desse canal dificulta o extravasamento do edema e dos líquidos que ali se formam. Isso cria uma pressão que produz dor muito forte.
O dente tem outra característica interessante. Toda sua enervação e vascularização entram pelo ápice da raiz, um orifício muito pequeno existente em sua extremidade inferior.

Drauzio - É um orifício existente na ponta da raiz que prende o dente ao osso…
José Tadeu - Em parte é isso mesmo. Na verdade, o dente é uma estrutura rígida que se fixa ao osso da mandíbula ou do maxilar por um ligamento. Portanto, é uma estrutura articulada com o osso, uma articulação microscópica com movimento bem pequeno, pois se desloca aproximadamente um décimo de milímetro. Por isso, apertar exageradamente os dentes durante o sono ou mesmo durante as atividades diurnas produz uma isquemia que causa inflamação ao redor do ligamento e a sensação de dor ou de crescimento do dente.

Drauzio - Qual é a dor de dente mais comum?
José Tadeu – A dor de dente acaba sendo desconcertante, porque ele é uma estrutura somática profunda que engloba tecido ósseo, tecido dentário, ligamento rígido e receptores que conduzem a enervação. Qualquer processo inflamatório que comprima esses receptores pode provocar dor sem que haja lesão no dente para justificá-la.
No entanto, a dor de dente mais comum decorre de uma lesão, em geral a cárie, que afeta o nervo do dente, tecnicamente chamado de polpa dentária. Como essa estrutura entra por um forame minúsculo, o sangue que penetra no dente tem de retornar pelas veias. Comprometimento desse retorno por causa do volume dos vasos provoca compressão nas terminações nervosas e dor latejante. Parece que o coração está pulsando dentro do dente.

DrauzioQuando a pessoa procura o dentista por causa desse tipo de dor, ele fura o dente para reduzir o edema e a inflamação.
José Tadeu - Até alguns anos atrás, o comprometimento da polpa justificava um tratamento radical. Abria-se o dente e removia-se a polpa. No entanto, a evolução do processo inflamatório passa por várias fases. A primeira caracteriza-se por dolorimento, por hiperemia, resultante de leve aumento do volume dentro do canal. Progressivamente, pode ocorrer uma lesão dos vasos chamada pulpite, ou seja, uma inflamação da polpa dentária reversível (regride com o uso de antiinflamatórios) ou irreversível. Neste caso, somos obrigados a abrir o dente e remover o nervo, isto é, a polpa dentária.

Drauzio – Muitas pessoas têm bruxismo, ou seja, cerram os dentes com tanta força enquanto dormem que acordam com dor forte nos dentes. Por que isso acontece?
José Tadeu –
O bruxismo do sono, isto é, o apertamento ou ranger dos dentes que se manifesta geralmente à noite, não se sabe por que, acomete 15% das crianças. À medida que as pessoas envelhecem, porém, há uma redução dessa prevalência e não mais do que 2% ou 3% dos idosos rangem os dentes enquanto dormem.
Muitos anos atrás, imaginava-se que o bruxismo era uma doença. Atualmente se sabe que talvez seja uma resposta normal do organismo. Em algumas pessoas particularmente, pode estar ligado a fatores genéticos, visto que existem famílias em que avô, pai, filho e neto têm padrão semelhante de apertamento. Por isso, atribui-se importância fisiológica ao bruxismo.

Drauzio
- Como se diagnostica o bruxismo?
José Tadeu - Existe um centro de padrões de atividades automáticas no sistema nervoso central. Assim como andar, respirar, mastigar são movimentos automáticos, alguma coisa no córtex central estimula o núcleo motor do trigêmeo e faz com que o indivíduo aperte ou ranja os dentes.
De modo geral, a população tem fases em que aperta os dentes de forma mais intensa, mas apenas são categorizados como portadores de bruxismo aqueles que os apertam acima de 30% do valor da máxima força de contração da mandíbula. O número de episódios durante o sono também é levado em consideração para diagnóstico. As polissonografias, isto é, os exames do sono, ajudam a determinar esses dados.

Drauzio - Que problemas provoca esse apertar exagerado dos dentes?
José Tadeu – O principal problema é o desgaste dos dentes e o dolorimento porque a compressão exagerada pode levar à isquemia dos vasos que entram no ápice da raiz e depois à necrose dos vasos, dos nervos e da polpa dentária. Normalmente é uma dor de curta duração que tem como causa a isquemia, a falta de circulação dentro do dente.

Drauzio - A pessoa chega a acordar por causa dessa dor?
José Tadeu - Alguns pacientes relatam que sim e que também acordam com a sensação de que estavam fazendo ruído com os dentes. Na grande maioria dos casos, porém, é o cônjuge ou alguém que dorme no mesmo quarto que percebe o problema. Não é incomum ouvi-los dizer que não adianta sacudir a pessoa ou tentar acordá-la, porque ela volta a dormir e continua rangendo os dentes.

DrauzioÀs vezes, as pessoas se queixam de dor de dente e o dentista diz que o problema está na gengiva e não no dente. Quais são as causas mais freqüentes da dor na gengiva?
José Tadeu - Eu diria que a mais freqüente é a infecção oportunista chamada periodontite que afeta primeiro a gengiva e depois a inserção entre o dente e o osso (periodonto). Diria também que o diagnóstico da dor gengival é relativamente simples. Em geral, esses pacientes têm histórico de sangramento quando escovam os dentes ou passam fio dental e, dependendo do alimento, quando mastigam.
As dores de gengiva são mais difusas. Às vezes se manifestam na face, na cabeça ou na região cervical e são difíceis de localizar com precisão. Uma das causas desse tipo de dor pode ser o traumatismo por apertamento. A inflamação é inespecífica. A não ser no exame clínico e no levantamento da história do paciente, não se encontram dados em radiografias, nem alterações nos dentes que justifiquem o sintoma. Desse modo, as dores do periodonto provocadas pelo bruxismo são as que mais dificultam o diagnóstico por causa da ausência de sinais clínicos e macroscópicos específicos de lesão, já que se trata de uma alteração vascular por isquemia.

DrauzioOs médicos mais velhos contam que, no passado, quando se deparavam com um doente que apresentava febrícula diária sem causa determinada, uma das primeiras medidas era recomendar que arrancasse os dentes e colocasse dentadura, porque as pessoas tinham geralmente dentes em mau estado e retirá-los eliminaria focos infecciosos. Na verdade, essa conduta radical e absurda prova que os dentes levam injustamente a culpa de muitos problemas. Quais são esses os mais importantes?
José Tadeu - Na história da civilização humana, há referências muito antigas à extração de dentes. Do papiro de Ebers (3700 aC a 1500 aC), que representa a cultura médica egípcia, consta o seguinte relato do médico do faraó: “se quiser melhorar a dor do corpo, das costas, dos pés, tire todos os dentes”. Também se sabe que Beethoven extraiu vários dentes na tentativa de aliviar as dores que sentia.
No início do século XX, imperou a teoria da infecção focal, uma vez que a cárie dentária e as doenças da boca e da gengiva são essencialmente infecciosas. Nesse aspecto, existe um fato a considerar. Quando ocorre sangramento na gengiva, os germes da boca caem na corrente sangüínea e espalham-se momentaneamente produzindo uma bacteremia transitória. Se as defesas orgânicas estiverem baixas, pode aparecer uma infecção à distância chamada infecção focal. Isso existe e sempre existiu, mas nunca se definiam as condições em que se encontrava o paciente. Simplesmente se extraiam todos os dentes. Atualmente, através da Biologia Molecular e de testes modernos, consegue-se comprovar que alguns pacientes com doenças cardíacas, renais ou reumatológicas são mais susceptíveis à bacteremia e escolhe-se a melhor conduta para o caso.

Drauzio - Que outras doenças podem provocar dor de dentes?
José Tadeu - Embora seja incomum, o câncer de cabeça e pescoço, em especial o de assoalho da boca, pode manifestar-se como dor de dente. Além disso, principalmente nas crianças, a leucemia causa dor e mobilidade do dente, porque afeta os vasos da polpa dentária e do periodonto e o nervo dos maxilares.
Hoje, quando a dor de dente ou orofacial é difusa, mal localizada ou recorrente, devem ser descartadas todas as possibilidades de diagnóstico de neoplasias, porque elas são muito atípicas na manifestação da dor. Grande parte dos cânceres de boca tem lesões aparentes, assimetrias, alterações neurológicas evidentes, mas se a dor é a primeira queixa a coisa muda de figura.
No final de 2003, defendi uma tese de mestrado cuja proposta era uma revisão de 1440 casos de câncer de boca que ocorreram em vinte anos, no Hospital Heliópolis, em São Paulo (SP) e ficou evidente que em 20% a dor representava a única queixa. Eram dores variadas: dor de dente, dor na boca, queimor na boca ou na língua, dor de cabeça, de ouvido, portanto, um quadro totalmente atípico da doença.

Drauzio - Uma das dores mais terríveis que o ser humano relata é a neuralgia do trigêmeo que, em geral, dura pouco, mas vem com força máxima. Não só os leigos a confundem com dor de dente; há profissionais que também confundem. Como se explica isso?
José Tadeu – Esse é um tema importante, inclusive sob o ponto de vista de saúde pública. Comparada com a dor de dente, a prevalência da neuralgia do trigêmeo não é grande. Acontece que dada a intensidade da dor e o fato de que muitos pacientes foram perdendo gradativamente os dentes por causa dela, é indispensável estabelecer diagnóstico diferencial entre as duas.
O problema é que, às vezes, a neuralgia do trigêmeo se manifesta como dor de dente ou na gengiva e existem atividades rotineiras que podem desencadeá-la, por exemplo, escovar os dentes, passar fio dental, mastigar, engolir. O paciente acha que é dor de dente, e para ele é mesmo, porque ela vem de uma região do sistema nervoso central que corresponde aos dentes e à área sensitiva da face.
Por isso, é importante definir as principais características dessas dores. A neuralgia do trigêmeo é uma dor em choque, de curtíssima duração, desencadeada por toque leve ou por fatores que normalmente não causariam dor. A dor de dente – em geral, uma pulpite – quando é forte, dura mais do que alguns segundos. Chega a durar horas e a acordar o paciente durante a noite. É uma dor latejante, porque é vascular, e pode espalhar-se no segmento dos dentes, da face ou por todo o crânio, em virtude da sensibilização que provoca no sistema nervoso central e que amplia a sensação de dor.
Como dentista, convivo com um grupo interdisciplinar no Hospital das Clínicas, o Centro de Dor da Neurologia, que tem estudado pacientes com neuralgia e com dor de dente para saber, entre outros temas, qual a prevalência da extração de dentes no Brasil ou por que nós, os dentistas, ainda extraímos dentes.
Tudo indica que, muitas vezes, pessoas com neuralgia de trigêmeo procuram o médico clínico e saem sem diagnóstico porque não é fácil fazê-lo. Um trabalho que finalizamos recentemente mostrou que, se considerarmos a população com neuralgia do trigêmeo há mais de dez anos, todos os pacientes já perderam os dentes e entre os que apresentam a doença há um ano, metade não tem mais os dentes.

Drauzio - A que se deve um número tão alto de extrações?
José Tadeu - No começo, imaginava-se que era por erro de diagnóstico do dentista. Em parte, é verdade, porque os profissionais de saúde, o dentista e o médico clínico, nem sempre conseguem diagnosticar a neuralgia do trigêmeo quando não têm experiência com a doença e porque a dor se confunde com vários tipos de dor de dente.

DrauzioCom que tipos de dor de dente a neuralgia do trigêmeo se confunde?
José Tadeu – Um dos tipos mais comuns é a dor do colo dentário, uma dor aguda de curta duração, semelhante a um choque, que aparece quando se toma sorvete, por exemplo.

DrauzioO que se pode fazer para reverter esse quadro?
José Tadeu - Os pacientes com neuralgia que perderam a metade dos dentes por erro de diagnóstico evidenciam a necessidade de treinamento e educação continuada. Eu diria, porém, que não é só a ignorância dos profissionais que pesa. Uma das principais causas é o fato de a dor de dente ser muito variada em sua expressão clínica e isso, às vezes, confundir o próprio paciente.
Talvez a conduta mais indicada para esses casos seja o dentista não retirar o dente se não encontrar alterações que justifiquem a extração. Ele deve encaminhar o paciente para um colega com experiência na área ou para um neurologista antes de tomar qualquer medida radical.
A pessoa que sabe que tem neuralgia do trigêmeo pode entrar num ciclo de dor crônica e ser obrigada a submeter-se ao uso constante de remédios, à mudança de doses e, às vezes, a cirurgias. No entanto, pessoas socialmente próximas, inclusive os profissionais que cuidam dela, começam a sugerir que ninguém pode tomar remédios a vida toda só por causa da dor. Isso talvez a estimule a procurar novas alternativas de tratamento, achando que o diagnóstico não está fechado.
Na verdade, o problema é que o paciente com neuralgia entra num ciclo de dor crônica em que recebe um sem-número de “informações desinformadas” e, na busca de alternativas, acaba tendo mais um dente removido. O curioso é que, mesmo extraindo todos os dentes, não consegue usar dentadura porque ela dispara a dor da neuralgia.

Drauzio - Que tragédia!
José Tadeu – A neuralgia do trigêmeo é relatada há mais de mil anos e as características do diagnóstico são claras. Anos atrás, fazendo um levantamento da prevalência da dor em Odontologia, encontrei um trabalho apresentado num congresso de 1929 por um profissional do Rio de Janeiro que discutia a dor de dente e a dor das neuralgias maiores, como eles chamavam a dor de dente que se manifesta à distância, no ouvido, na cabeça, ou são totalmente difusas na face. Naquela época, já existiam os mapeamentos faciais mostrando como essas dores se apresentam.
Dependendo da localização do dente, há uma área mais específica ou mais comum de manifestação da dor. Por exemplo, alterações nos molares inferiores podem manifestar-se como dor de ouvido que, por sua vez pode ser sinal de problema na coluna cervical ou da articulação têmpero-mandibular. Essa sintomatologia variada leva à dificuldade de diagnóstico e exige treinamento maior na semiologia da dor.
Você me perguntou por que o dente dói tanto. Além do aspecto local, tem o aspecto ligado ao sistema nervoso central. A representação da boca e do maxilar no córtex sensitivo é muito grande.

DrauzioPor ser uma área tão importante do corpo, a boca tem grande representação cerebral.
José Tadeu - Estão ligadas à boca funções importantes como a amamentação e a respiração, por exemplo. Toda nossa vida vegetativa tem relação com esse segmento da face.

Dr. José Tadeu T. Siqueira é cirurgião-dentista e coordenador do Ambulatório de Dor Facial da Divisão de Odontologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

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Dor de cabeça pode estar ligada à boca

É comum as dores de cabeça, na nuca, no pescoço e nas costas serem associadas a enxaqueca, otite, problemas de visão ou até mesmo neurológicos. O que pouca gente sabe é que a origem dessas dores pode estar na boca, mais precisamente no posicionamento dos dentes e na postura mandibular.
O alerta é do dentista Ricardo Falcão Tuler. Segundo ele, a disfunção craniomandibular, como é conhecida entre os odontologistas, atinge cerca de 90% da população e as mulheres são as mais afetadas. As causas possíveis são as mudanças de vida das últimas décadas, o estresse causado pela correria do dia-a-dia, além de restaurações e próteses mal executadas, má posição dos dentes, ausência de dentes ou hábitos parafuncionais, como por exemplo, o bruxismo (movimento dos dentes durante à noite de forma a desgastar ou até amolecer os dentes).
Tuler conta que ao apresentarem sintomas como dor de cabeça constante ou sensação de nuca pesada, a primeira atitude da pessoa é procurar um médico. “Ela procura um oftalmologista e após os exames descobre que a vista está perfeita. Recorre, então, a um otorrinolaringologista e os exames também não apontam nenhum problema”, conta. “Então, a pessoa passa por um neurologista e nada novamente. Têm pessoas que sentem dor de cabeça crônica e passam a vida tomando analgésicos, sem saber que sofrem, na verdade, de disfunção. Em muitos casos ela se desespera e quase nunca associa as dores ao dente”, acrescenta o dentista.
Inicialmente, a dor é eventual, mas se não for tratada evolui para inflamação muscular, que limita as funções mastigatórias. O paciente sente dificuldade para abrir a boca, dor ao bocejar e ao triturar alimentos mais duros. O quadro pode se agravar ainda mais com dor generalizada na região da cabeça, explica Tuler.
Foi o que aconteceu com a professora universitária, Maria Eugênia. Após passar por médicos de diferentes especialidades, inclusive fez dois exames de tomografia que não apresentara nenhuma anomalia, ela procurou Tuler para um outro problema bucal e, na primeira consulta, ele detectou que a paciente era vítima da tensão facial. “Tinha dores constantes na cabeça e no pescoço e fiquei surpresa quando descobri que estava associado a boca. Na primeira consulta ele já fez uma massagem na face que durou cerca de duas horas. Ela foi muito dolorida, mas depois tive a sensação de estar livre”, conta.
Após a consulta, o dentista deu algumas dicas à professora, que passou a se policiar. “Ele foi didático e explicou que eu tenho que me reeducar. Agora, só respiro pelo nariz e presto atenção se estou apertando os dentes”, revela. “Os benefícios foram imediatos, me sinto outra pessoa”, acrescenta Maria Eugênia.
Tuller conta que muitas vezes o paciente que sofre da tensão facial procura um profissional que indica uma placa miorrelaxante. “Isso coloca o paciente em uma situação mais confortável, porém não é suficiente”, afirma. “O paciente não foi orientado quanto as hábitos que fizeram ele chegar a estas dores chegou a essas dores. Agora, ele precisa se reeducar, aprender novamente para que as dores sejam eliminadas”, acrescenta o dentista.
Segundo o profissional, as mulheres são as mais afetadas porque além de serem mais perfeccionistas, elas contam com o fator hormonal. “A tendência é aumentar ainda mais o número de pessoas que sofrem da disfunção. Quem não morde o lábio, não aperta o dente, não morde o palito de dente ou a tampa da caneta no estresse do dia-a-dia? Esses são hábitos comuns e que devem ser evitados, pois têm influência direta com a doença”, afirma Tuller. “O paciente tem que se corrigir, pois ninguém faz milagre. Fico com o paciente por cerca de 50 minutos e ele fica sozinho 23h10. Por isso é preciso se policiar”, finaliza.

Fonte: Jornal da Cidade de Bauru
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O que é dor orofacial?

Do ponto de vista neural, as dores na boca, face e maxilar são das mais complexas. Existe uma variedade de dores numa área pequena.
Entenda cada uma delas:
1. Dor de dente – é a mais desconcertante de todas. Afeta o local e a enervação envolvida. A consciência da dor é sempre central, no cérebro. O problema é que a dor de dente “imita” outras dores na face. Por isso o diagnóstico deve ser diferenciado.
2. Dor da neuralgia do trigêmeo – causa muito sofrimento. O paciente sente como um choque na boca. Pode ser desencadeada por ações banais como engolir, escovar os dentes ou se maquiar. Ela ocorre na boca e se assemelha à dor de dente. Às vezes, os dentistas optam por tirar os dentes pensando que se trata de dor de dente. Isso serve de alerta para que os profissionais não removam os dentes quando não há certeza do diagnóstico.
3. Síndrome da ardência bucal – é a mais esquisita. Atinge principalmente mulheres em fase pré e pós-menopausa. A boca queima embora não haja lesões. As pessoas não acreditam que o paciente tenha alguma doença. A síndrome representa entre 1% e 6% do total de dores faciais e pode surgir em decorrência de câncer bucal, doenças sistêmicas, secura bucal. Pode haver dor neuropática, do nervo que irriga a língua.
4. Dores das disfunções de ATM – afetam todo o maxilar, articulações e músculos do pescoço. Em geral não são dores fortes como as outras. Elas imitam cefaléias e são comuns na população em geral. As causas são problemas dentários, estresse e bruxismo. O bruxismo afeta mais as mulheres e é modulado por estresse. Quando há sintoma de dor de cabeça fronto-temporal ao acordar, deve-se suspeitar de bruxismo no sono. A dor do bruxismo se manifesta no ouvido (30%), em frente ao ouvido, na face, nas têmporas, na mandíbula ou no pescoço, no fundo dos olhos ou “atrás dos olhos”, na nuca.
5. Dor facial atípica – manifesta-se num número reduzido de pacientes. Pode surgir depois de alterações psiquiátricas importantes, como a depressão. Há casos de dor fantasma, geralmente ligada a nervos, dor na língua e câncer bucal. Dos 600 novos casos de pacientes com dor na boca e na face a esclarecer por ano, 1% têm tumores bucais, na cabeça ou no pescoço. Quando o diagnóstico é precoce, é possível tratá-los.
A boca também é a região em que podem se manifestar as chamadas “dores manifestas”, como casos de angina, problemas cervicais, cefaléias, sinusites. Em quadros sistêmicos, como artrite reumatóide juvenil e fibromialgia, parte dos pacientes têm muita dor na face.
Cada um dos tipos de dor facial tem um tratamento diferente. Se for possível, deve-se descobrir e eliminar a causa. Além disso, pode-se adotar medicamentos ou indicar cirurgias. Às vezes a causa não está no fato, mas na decorrência dele.

Números

Em geral, estima-se que entre 6% e 8% da população sofra de dor orofacial crônica.
Os casos de neuralgia do trigêmeo somam 4 a cada 100 mil.
Entre 10% e 30% dos adolescentes relatam dor de dente nos últimos seis meses.
Entre 100 mil pessoas, os casos de câncer bucal somam 20 mulheres e 80 homens.
Em geral, a dor crônica benigna é muito mais comum em mulheres. A única exceção é nos casos de dor em razão do câncer, que é maior nos homens.
A disfunção mandibular é de quatro a oito vezes maior nas mulheres.
A dor do bruxismo é sete vezes mais comum em mulheres – 75% dos pacientes com bruxismo são mulheres.

Fonte: Dr. José Tadeu Tesseroli de Siqueira – dentista, responsável pela equipe de dor orofacial do Centro de Dor do HC e membro da diretoria da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED).
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Alterações na arcada dentária podem causar 30 tipos de dores

Imagine um trem andando com alguns vagões fora dos trilhos. Durante a viagem, estruturas entortam, se soltam, e cedo ou tarde todos os vagões saem da linha. É mais ou menos isso o ue ocorre na boca de quem tem dentes fora do lugar.
Os sinais de uma alteração no posicionamento dos dentes ou das arcadas dentárias podem aparecer em forma de dores de ouvido, de cabeça e na coluna, de inflamação na gengiva ou de apnéia do sono, entre outros.
A Equipe de Dor Orofacial da Divisão de Odontologia do Hospital das Clínicas de São Paulo recebe mensalmente cerca de 600 novos pacientes com queixas de dor.
“Desse total, cerca de 30% reclamam de dor de ouvido, e somente 5%, de dor nos dentes”, diz José Tadeu Tesseroli de Siqueira, supervisor da instituição.
Até chegar à cadeira dos dentistas, os pacientes costumam passar por consultórios das mais diferentes especialidades. “São cerca de 30 sintomas que podem ter origem no mau posicionamento dos dentes e das arcadas dentárias, mas nem todo mundo tem informação sobre isso”, explica o ortodontista Darcy Flávio Nouer, da Unicamp.
Até pouco tempo atrás, acreditava-se, por exemplo, que o grande vilão relacionado aos quadros de apnéia do sono era o excesso de peso. “Hoje sabe-se que pelo menos 40% dos casos têm como fator desencadeante os distúrbios maxilares”, diz Cibele Dal Fabbro, dentista do Instituto do Sono, da Unifesp.
Nesses casos, o maxilar se desenvolveu de forma irregular sem deixar espaço adequado para a língua se acomodar na boca, chegando a fechar a passagem do ar momentaneamente quando a pessoa adormece.
O aposentado Luiz Sérgio Gomes, 57, sofreu dois anos com dores na face. “Passei por 14 dentistas, fiz canal em cinco dentes, consultei-me com dois neurologistas e dois otorrinolaringologistas. Até tomografia do crânio tive de fazer.
Chegaram a dizer categoricamente que a minha dor era psicológica, e eu pensei que estava mesmo com algum problema emocional, sem contar o medo de uma doença grave na boca ou na cabeça”, conta. Depois de muita peregrinação, foi encaminhado a um especialista em dor orofacial.
Diagnóstico: um dos dentes da arcada inferior estava pressionando o nervo de um dente de cima. Uma placa de acrílico na boca para impedir o contato entre os dentes de cima e os de baixo durante o sono foi a solução.
“O estresse da vida moderna acentuou as dores associadas aos dentes, porque há uma tendência de concentrar neles boa parcela da carga de tensão acumulada no dia-a-dia”, diz Júlio Wilson Vigorito, professor da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.
A advogada Elizabeth Pereira Prado, 44, por exemplo, apertava os dentes enquanto dormia, o que passou a causar dores na face. Ela chegou à cadeira do dentista depois de passar por um clínico-geral, um especialista em ouvido e um neurologista.
Diagnóstico: o excesso de força sobre a arcada estava provocando uma inflamação no masseter, músculo situado na boca e um dos principais envolvidos no processo de mastigação. Pequenos acertos na mordida (por meio de desgaste do dente ou aplicação de resina, dependendo do caso) e uma placa de acrílico na boca para dormir acabaram com as dores da advogada.
A procura por soluções para os cerca de 30 sintomas vem mudando o perfil típico dos usuários de aparelhos corretivos, uma das formas de tratamento. No Brasil, a proporção de adultos que aderem a eles varia de 30% a 50% do total de pacientes que frequentam os consultórios especializados.
A assistente financeira Antonia Furtado de Mello, 43, começou a sentir os primeiros sinais da boca por meio de dores de cabeça e na nuca. “Procurei primeiro um clínico-geral, que tratou o problema como se fosse apenas uma cefaléia”, conta. Não conseguiu se livrar das dores de cabeça e ainda passou a ser contemplada com dores de ouvido. O otorrino detectou a origem da dor – a articulação das arcadas dentárias – e a encaminhou a um especialista em ortopedia funcional dos maxilares. A extração de dois dentes na adolescência forçou a movimentação dos outros dentes e provocou uma leve projeção do queixo de Antonia para a frente.
Tratamento: aparelho ortopédico funcional para devolver os dentes à posição natural e depois repor os que estão faltando.
Os sintomas podem ser causados não apenas pelo mau posicionamento dos dentes, mas de uma prótese também. A dor contínua no lado esquerdo do rosto de Cecy Lazzarine, 62, está sendo relacionada ao mau posicionamento de uma prótese dentária que ela usou para substituir dentes que havia pedido.
Casos como esses comprovam o que os especialistas são unânimes em ressaltar. “Cada vez mais as pessoas estão se conscientizando de que a boca é um órgão nobre e precisa de cuidados para não desequilibrar o funcionamento de outras partes do corpo”, diz Nouer.
Várias pesquisas vêm demonstrando que ter dentes bem cuidados, livres das periodontites, diminui até os riscos de doenças coronarianas e pulmonares. Como se não bastasse, as pessoas têm recorrido aos tratamentos por questões puramente estéticas, a fim de harmonizar os traços da face.
“Há casos em que, mexendo apenas no alinhamento dos dentes e no reposicionamento das arcadas, é possível corrigir sorrisos que expõem demais a gengiva ou lábios que são muito afinados por causa da posição dos dentes”, explica Aroldo Ayres Monteiro, cirurgião plástico bucomaxilofacial do HC.

Folha de S.Paulo
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Mães modernas: 90% delas sofrem de “bruxismo”

Enfrentando competições no trabalho, boa dose de culpa por não terem o tempo que gostariam para se dedicar aos filhos e em permanente estado de ansiedade por conta da violência generalizada, as mulheres são alvo de dores craniofaciais.
As razões psicológicas e físicas ainda estão sendo estudadas, mas é fato constatado em pesquisas mundiais que 90% das mulheres, entre 30 e 45 anos sofrem de dores craniofaciais. Muitas crêem se tratar de dor de cabeça crônica ou enxaqueca, mas, assim que iniciam tratamento, percebem que sofrem de bruxismo.
“As dores temporomandibulares, que se repercutem por toda a cabeça, maxilar, pescoço, ouvidos e até mesmo nas costas, são uma queixa muito comum entre as pacientes. Chegam a limitar ações como falar, morder e mastigar. Depois de alguns minutos de conversa, os motivos de todo o sofrimento físico vêm à tona: depressão, estresse, ansiedade e medo”, diz o ortodontista Ivan Valle, do Oralface Institute.
Valle diz que, enquanto os homens têm menos tendência a somatizar os problemas e, quando o fazem, costumam apresentar distúrbios gastrintestinais ou doenças do coração, as mulheres tendem a concentrar na região da cabeça seus problemas. “Imagine se uma pessoa passasse 24 horas por dia trabalhando o músculo da perna. Em pouco tempo não conseguiria nem andar. Agora, imagine uma pessoa que força o tempo todo, acordada ou dormindo, a musculatura dos maxilares, apertando ou rangendo os dentes. Em pouco tempo a dor se torna insuportável e a paciente tem a impressão de que tudo dói”.
O ortodontista diz que a maioria dos casos que chegam à clínica são mulheres que enfrentam dupla jornada de trabalho – encarando os desafios da profissão e os de administrar casa, marido e filhos -, sentem-se ansiosas diante da violência urbana e se preocupam com os problemas de toda a família, inclusive sentindo-se culpadas por não terem mais tempo de se dedicar aos filhos como gostariam.
“Alguns fatores locais também contribuem para acentuar a dor, como alterações respiratórias, hábitos como roer unhas ou mascar chicletes, e ainda o posicionamento errado dos dentes – que forçam a uma postura muscular alterada”, diz o especialista.
Para Ivan Valle, o Brasil ainda “engatinha” nesse tipo de diagnóstico e tratamento. “Não é raro recebermos pacientes que tentaram por vários anos resolver o problema com outras especialidades, sem sucesso. É importante não ceder ao comodismo de se automedicar com analgésicos e antiinflamatórios, porque, além de não resolverem o problema, acabam causando outros males e perdendo a eficácia”.
Valle diz que pacientes com disfunção temporomandibular devem receber tratamento integrado. Alterações na posição dos dentes e no emocional devem ter peso semelhante na avaliação. Médicos, fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais da saúde devem estar preparados para diagnosticar e encaminhar esses pacientes ao tratamento adequado.
Nos Estados Unidos, o Instituto Nacional de Pesquisa Craniofacial e Dental alega que 10,8 milhões de pessoas sofrem de dores na articulação temporomandibular.

Dr. Ivan Valle – ortodontista e diretor do Oralface Institute de S.Paulo
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Acometimento de articulação têmporo-mandibular à ressonância magnética é comum em pacientes portadores de Artrite Juvenil Idiopática

Pesquisadores publicaram, recentemente, no The Journal of Rheumatology, um estudo em que procuraram investigar a correlação entre achados à ressonância magnética de pacientes portadores de artrite juvenil idiopática, com acometimento de articulação têmporo-mandibular (ATM), e os achados ao exame físico, bem como o desenvolvimento de novos achados imagenológicos na ATM ao longo do tempo.
Quinze pacientes pediátricos, com diagnóstico recente de artrite juvenil idiopática, com idade média de doze anos, foram examinados clinicamente e com ressonância nuclear magnética, com uso de Gadolínio-DTPA por quatro vezes, em um intervalo de seis a oito meses. Achados clínicos e imagenológicos foram comparados. Variáveis analisadas às imagens obtidas por ressonância magnética incluíram imagens captadas em T1 antes e após a administração de contraste paramagnético, com e sem supressão de gordura.
No total, 115 articulações foram examinadas durante o período de dois anos: 93% apresentou aumento, 71% apresentou erosão condilar, 26% apresentou formação de pannus, e 23% das articulações apresentou acúmulo de líquido à ATM. Exceto em um paciente, uma ou mais articulações têmporo-mandibulares apresentaram espessamento da membrana sinovial durante o período de estudo. Raramente foram observados sintomas. Todos os pacientes que apresentavam alterações leves ou graves ao exame físico também apresentaram sinais patológicos à ressonância magnética, porém nem todos os pacientes sem achados clínicos de comprometimento da ATM apresentaram ressonância magnética normal.
Portanto, os pesquisadores concluíram que o acometimento da articulação têmporo-mandibular à ressonância nuclear magnética é comum em pacientes portadores de artrite juvenil idiopática.
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Disfunção têmporo-mandibular. Aspectos clínicos de interesse do cefaliatra

Disfunção têmporo-mandibular (DTM) é um termo coletivo usado para descrever uma série de problemas clínicos que envolvem os músculos da mastigação, as articulações têmporo-mandibulares e estruturas associadas, ou ambos.1 Freqüentemente se encontram em clínicas de cefaléias pacientes com dor facial persistente ou recorrente. Uma vez que se tenha eliminado a possibilidade de tais dores serem cefaléias primárias, problemas otológicos ou sinusais, deve-se considerar a possibilidade de disfunção têmporo-mandibular particularmente se a dor acompanhar os movimentos mandibulares e houver limitação dos movimentos mandibulares. Esse artigo faz uma revisão das características clínicas das disfunções têmporo-mandibulares e detalha alguns fatores que podem ser reconhecidos pelos cefaliatras a fim de que se possa encaminhar o paciente para um exame mais detalhado de um especialista em disfunção têmporo-mandibular e dor orofacial.

Marco Aurelio Domingues Bruno
Cirurgião-dentista; Especialista em Disfunção Têmporo-Mandibular e Dor Orofacial; Especialista em Periodontia; Membro da Sociedade Brasileira de Cefaléia; Ambulatório de Cefaléias Crônicas do Instituto de Neurologia Deolindo Couto da UFRJ

Migrâneas cefaléias, v.7, n.1, p.14-18, jan./fev./mar. 2004
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Terapêuticas farmacológica e oclusal em cefaléias relacionadas a desordens temporomandibulares

Como publicado em: Revista do Serviço ATM, Vol. IV p.22
Serviço de Diagnóstico e Orientação a Pacientes com Desordens Temporomandibulares da Faculdade de Odontologia / UFJF
Fernanda Gomes Almeida*
Elson Braga de Mello**
Sérgio Irikura***
* Acadêmica Bolsista do SERVIÇO ATM
** Cirurgião-dentista, Mestre e Doutorando em Odontologia Restauradora pela UNESP, Especialista em Prótese Dentária pela UFRJ, Professor da Faculdade de Odontologia da UFJF, Professor Coordenador da Clínica de Dor Orofacial da Universidade Salgado de Oliveira, Membro da equipe interdisciplinar do SERVIÇO ATM
*** Médico Neurologista, Coordenador do Serviço de Cefaléia do Hospital Universitário, Mestrado na Área de Concentração em Neurologia pela UERJ, Doutorando em Neurologia pela UFF, Membro da Sociedade Brasileira de Cefaléia

RESUMO
As desordens temporomandibulares (DTM) constituem distúrbios funcionais do sistema mastigatório com etiologia complexa e multifatorial, tendo a cefaléia como um de seus principais sintomas. Hábitos parafuncionais, estresse e hiperatividade muscular parecem estar envolvidos em sua causa. Seu tratamento geralmente se dá por terapias oclusal, farmacológica, fisioterapêutica e psicológica. O objetivo deste estudo foi comparar a eficácia da terapia oclusal, por placa estabilizadora, e a farmacológica, através do uso de antiinflamatório (Rofecoxib), bem como a interação destas duas condutas na remissão de cefaléias associadas às DTM. Vinte e quatro pacientes selecionados no Setor de Urgência do SERVIÇO ATM da UFJF, através de questionário e exame clínico receberam tratamento. A análise estatística dos resultados permitiu verificar que o uso de placa estabilizadora, associada ou não à medicação antiinflamatória, exibiu melhor comportamento que o uso isolado de Rofecoxib.
Palavras-chave: Desordens Temporomandibulares, Agentes Antiinflamatórios, Enxaqueca, Cefaléia.
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Dor Miofascial

Profa. Amélia Pasqual Marques

HISTÓRICO E DEFINIÇÃO
Em 1943 FRORIEP descreveu a existência de áreas dolorosas e tensas sobre os músculos e em 1898, STRAUSS relatou que nenhum estudo anatômico obteve sucesso em documentar a presença de um depósito de tecido conjuntivo que viria a explicar os “cordões” tensos e palpáveis encontrados nos músculos. Em 1931, LANGE descreveu detalhadamente a distribuição, origem e patologia do que mais tarde, em 1959, foi denominado por STEIDER como ponto-gatilho, um dos componentes desta síndrome. (TEIXEIRA, 1995).
Em 1939, o conceito de dor referida, começa a surgir através das observações clínicas de KELLGREN, que encontrou áreas dolorosas distantes dos pontos sensíveis. Outros autores, GUTSTEIN e KELLY, conceituaram e descreveram os pontos gatilho, a reação do paciente à palpação e a dor referida (PULLEN, 1992a).
Conceito:
A síndrome dolorosa miofascial é definida como uma disfunção neuromuscular regional que tem como característica a presença de regiões sensíveis em bandas musculares contraturadas/tensas que produzem dor referida em áreas distantes ou adjacentes. Esta dor miofascial pode se originar em um único músculo ou pode envolver vários músculos, gerando padrões complexos e variáveis de dor (WOLENS, 1998).
Etiologia
Vários fatores são precipitantes: traumas (macro e micro traumas), infecção ou inflamação devido a uma patologia de base, alterações biomecânicas apendiculares (discrepância de membros, aumento acentuado dos seios) e axiais posturais, distensões crônicas, esfriamento de músculos fatigados, miosite aguda, isquemia visceral (ZOHN, 1988). Outras causas incluem: lesões localizadas de músculos, ligamentos, cápsulas articulares, doenças viscerais, desequilíbrios endócrinos, exposição prolongada ao frio, deficiência de vitaminas C, complexo B, estrógeno, K+ e Ca+ , anemia, baixa taxa metabólica, hipotireoidismo, creatinúria, estress emocional, tensão fadiga, inflamação, deficiência muscular (MANNHEIMER E LAMPE, 1984; FISHER, 1986). Estes fatores não corrigidos, podem perpetuar a dor miofascial (ZOHN, 1988).
Componentes da Sindrome Miofascial
A síndrome miofascial tem componentes essenciais: ponto-gatilho, espasmo muscular segmentar, dor referida e o envolvimento de partes moles.
SIMONS (1990) apud MUSSE (1995) estabeleceu cinco componentes que podem ser usados como critério diagnóstico:
1. Queixa de dor regional
2. Queixa dolorosa ou alteração sensorial na distribuição de dor referida esperada
3. Banda muscular tensa palpável
4. Ponto dolorido na banda muscular
5. Restrição de alguns graus de amplitude de movimento (ADM)
Há três critérios menores:
1. Reprodução de queixa durante pressão no ponto
2. Contração durante inserção de agulha ou palpação transversal do ponto na banda
3. Alívio da dor pelo estiramento do músculo.
Pontos-gatilho
As zonas de pontos-gatilhos foram primeiramente descritas em 1936 com a reprodução de dor referida para ombro e braço por pressão na área superior da escápula. Travel relata estudos sobre estes pontos desde 1942.
O ponto gatilho é um lugar irritável, localizado em uma estrutura de tecido mole, mais freqüentemente no músculo, caracterizado por baixa resistência e pela alta sensibilidade em relação a outras áreas (FISHER, 1995a). Quando se estimula esse ponto por 30 segundos com uma pressão moderada, surge uma dor referida.
Um ponto gatilho é dito ativo quando é um foco de hiperirritabilidade sintomática no músculo ou fáscia com padrão de dor referida (dor espontânea ou ao movimento, diminuição da ADM, diminuição de força, dor à palpação e bandas tensas). O ponto em forma latente não causa dor, mas pode tornar-se ativo por qualquer evento (trauma, estresse), gerando a dor referida.
Fisiopatologia do ponto-gatilho
Há várias teorias: liberação de Ca +2, Inflamação neurogênica, abertura das comportas, desfacilitação do fuso, modificação no SNC, reflexos viscerossomáticos e somatoviscerais e dor referida e Sinais de SNA e memória.
Das teorias referidas a mais aceita é a liberação de Ca +2 e afirma que os pontos ativos podem ser iniciados por um trauma que localmente abre o retículo sarcoplasmático, liberando Ca +2. Este Ca +2 combina-se com o ATP para continuamente ativar os mecanismos locais de contração, gerando deslizamento e interação de actina e miosina com encurtamento do feixe muscular afetado. Isto causa uma contratura local (banda tensa), ou seja, a ativação de miofilamentos sem atividade elétrica e controle neurogênico. Esta atividade gera alto gasto energético e colapso da microcirculação local. O consumo energético sob condições de isquemia leva à depleção de ATP o que impede a recaptação do Ca +2 pelo retículo – ciclo vicioso autosustentado (Musse, 1995). 

AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA
Utiliza-se a história clínica onde são obtidos dados gerais do paciente e o exame físico.
Como as queixas principais são dor, limitação de movimento e fraqueza muscular, é importante avaliar estes aspectos para serem avaliados inicialmente e reavaliados ao longo do tratamento.
* Anamnese
* Avaliação da dor – escala analógica visual de dor, Questionário de dor da McGill e dolorimetria
* Avaliação da amplitude de movimento – goniometria
* Avaliação funcional – o HAQ tem sido utilizado em outras patologias reumáticas como por exemplo a artrite reumatóide.
TRATAMENTO
O tratamento pode ser dividido em três fases:
* inativação do ponto gatilho
* reabilitação muscular
* remoção preventiva de fatores perpetuantes
* Inativação dos pontos gatilho – feitas através de injeção com anestésicos ou solução fisiológica salina seguida por alongamento e calor. Esta técnica produz alivio rápido. O spray tem-se mostrado efetivo associado com alongamento. A terapia manual também é citada através da pressão nos pontos gatilhos, fricção profunda e alongamento muscular.
* Restauração da amplitude de movimento e força muscular – alongamento Analgesia – Além das citadas o TENS, ultrasom, laser (a mais popular), acupuntura, manipulação com agulha, calor seco e úmido e biofeedback.
* Remoção preventiva de fatores perpetuantes – A educação do paciente de modo a previnir e lidar com as possíveis crises e também bloquear os fatores perpetuantes ou precipitantes.
Conclusão
O ponto gatilho miofascial é a causa, o sintoma e o diagnóstico-padrão para a patologia, sendo também a resposta terapêutica das diferentes modalidades e não tem sido apropriadamente avaliada. O exame desta síndrome é difícil e o diagnóstico é basicamente clínico.
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Prevalência dos sintomas otológicos na desordem temporomandibular: estudo de 126 casos

A presença de sintomas otológicos associados à desordem temporomandibular (DTM) é discutida há seis décadas; entretanto, sua etiologia ainda permanece obscura. Forma de estudo: Prospectivo clínico randomizado. Objetivo: Neste estudo foram avaliadas a prevalência de sintomas otológicos na DTM, sua correlação com a dor muscular e a ausência de dentes posteriores. Material e Método: Foram avaliados 126 pacientes portadores de DTM, através de questionário subjetivo dos sintomas, palpação dos músculos de mastigação, temporal, masséter, pterigóideo lateral, pterigóideo medial, digástrico, tendão do músculo temporal e dos músculos esternocleidomastóideo e trapézio. Foram feitas radiografias panorâmica e transcraniana e modelos de gesso das arcadas superior e inferior dos pacientes. Os dados obtidos foram analisados através do Teste Exato de Fisher, com percentil de significância menor que 0,05. Resultados: Houve presença de sintomas otológicos em 80% dos pacientes, sendo que 50% apresentavam dor referida em ouvido; 52%, plenitude auricular; 50%, tinitus; 34%, tontura; 9%, sensação de vertigem; e 10% relataram hipoacusia. O músculo pterigóideo lateral foi o músculo mais sensível em 94% dos pacientes, seguido do músculo temporal em 69%, masséter em 62%, digástrico em 60%, pterigóideo medial em 50%, tendão do músculo temporal e esternocleidomastóideo em 49% e trapézio em 42% dos pacientes. Houve significância para dor muscular, e a presença de sintomas otológicos, nos músculos masséter e esternocleidomastóideo. Os sintomas tinitus, plenitude auricular e dor referida em ouvido apresentaram alta correlação de significância entre si. Não houve significância para a ausência de dentição e sintomas otológicos. Conclusão: 1) Dor referida em ouvido, tínitus, plenitude auricular e tontura foram prevalentes; 2) os sintomas otológicos presentes na DTM podem estar relacionados com a dor muscular em masséter e esternocleidomastóideo; 3) não houve correlação entre os sintomas otológicos e a ausência de dentes posteriores.

PASCOAL, Maria I. N., RAPOPORT, Abrão, CHAGAS, José F. S. et al. Prevalência dos sintomas otológicos na desordem temperomandibular: estudo de 126 casos. Rev. Bras. Otorrinolaringol. [online]. set. 2001, vol.67, no.5 [citado 30 Março 2006], p.627-633. Disponível na World Wide Web: . ISSN 0034-7299.
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Fibromialgia e Dor na articulação têmporo-mandibular (ATM)

A articulação têmporo-mandibular, responsável pelo movimento de fechar a boca, chamado de oclusão,é uma das articulações mais complexas do corpo humano. Além do movimento do tipo dobradiça, existem também movimentos para frente, para trás e para os lados. O interior da articulação também contém um menisco, que permite um maior deslizamento e um movimento mais suave.
O envolvimento da ATM não é totalmente inesperado na fibromialgia (FM), pois esta articulação é envolta por um dos grupos musculares mais poderosos do corpo. A dor relacionada com a ATM é mais comumente causada pelo envolvimento dessa musculatura do que da articulação em si.
Quase um terço de pacientes com FM têm problemas de ATM e 20% dos pacientes com dores na ATM são portadores de fibromialgia. As dores na ATM também são mais prevalentes nas mulheres, entre 25 e 50 anos de idade.
As dores da ATM são sentidas na região da face, cabeça, pescoço e até ombros; outros sintomas incluem dolorimento na palpação da musculatura mastigatória, barulhos e travamento da articulação.
A dor é causada principalmente de contração muscular contínua, resultante muitas vezes do ranger dos dentes (bruxismo) ou do apertamento dos dentes (briquismo). Problemas de dentição, como dentes soltos podem colaborar com o aparecimento da dor.Esses fenômenos acontecem principalmente à noite, podem alterar a qualidade do sono e piorar os sintomas de fibromialgia.
O tratamento das disfunções de ATM geralmente inclui medidas como antiinflamatórios, analgésicos e relaxantes musculares. O uso de “placas” – dispositivos intra-orais para serem usados a noite, habitualmente reduzem a dor. Obviamente a avaliação de um odontólogo é imprescindível desde o início do quadro. Procedimentos cirúrgicos hoje são exceção. Fisioterapia, re-educação postural e massagens também auxiliam de maneira importante no alívio dos sintomas.

Eduardo S. Paiva
Reumatologista
Chefe do Ambulatório de Fibromialgia do HC-UFPR, Curitiba
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Estudos de revisão sistemática: um guia para síntese criteriosa da evidência científica

Agregar evidências de pesquisa para guiar a prática clínica é uma das principais razões para se desenvolverem estudos que sintetizam a literatura, mas não é a única. As revisões sistemáticas são desenhadas para ser metódicas, explícitas e passíveis de reprodução. Esse tipo de estudo serve para nortear o desenvolvimento de projetos, indicando novos rumos para futuras investigações e identificando quais métodos de pesquisa foram utilizados em uma área. Métodos: Uma revisão sistemática requer uma pergunta clara, a definição de uma estratégia de busca, o estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão dos artigos e, acima de tudo, uma análise criteriosa da qualidade da literatura selecionada. O processo de desenvolvimento desse tipo de estudo de revisão inclui caracterizar cada estudo selecionado, avaliar a qualidade deles, identificar conceitos importantes, comparar as análises estatísticas apresentadas e concluir sobre o que a literatura informa em relação a determinada intervenção, apontando ainda problemas/questões que necessitam de novos estudos. Um trabalho de revisão sistemática segue a estrutura de um artigo original. Conclusão: Boas revisões sistemáticas são recursos importantes ante o crescimento acelerado da informação científica. Esses estudos ajudam a sintetizar a evidência disponível na literatura sobre uma intervenção, podendo auxiliar profissionais clínicos e pesquisadores no seu cotidiano de trabalho.
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Dor de cabeça pode ser tratada no dentista

De acordo com estudos recentes, existem mais de 150 tipos de dores de cabeça e as maiores vítimas desse problema são as mulheres. Uma das causas pouco conhecida, que gera principalmente a dor de cabeça crônica – uma dor intensa na região que pode durar dias – é a Disfunção Temporomandibular, a DTM.
Apesar do nome complicado e nada comum, a DTM é uma doença que atinge a articulação e os músculos que realizam os movimentos da boca. Isso acontece devido a lesões causadas por movimentos desnecessários que fazemos com a boca, hábitos como: mascar chicletes, roer unhas, morder gelo, etc. O bruxismo (o ranger dos dentes que algumas pessoas realizam ao dormir) e o estresse também são fatores que causam DTM.
E, como na maioria dos problemas que levam à dor de cabeça, essa disfunção também está mais presente no sexo feminino: as mulheres em idade fértil são as maiores vítimas do problema, cerca de nove para cada homem. Atualmente tem sido observado um aumento dos casos de DTM em adolescentes e crianças.
Ainda que se trate de uma doença que pode causar dores de cabeça terríveis durante anos, o tratamento dela, quando bem diagnosticada, não apresenta maior dificuldade. É simples e conservador, feito por meio de terapias caseiras, exercícios, compressas, relaxamento muscular, controle da ansiedade e depressão, e até mesmo ioga. O paciente aprende técnicas e as realiza não só no consultório como também em casa. Em muitos casos, também é necessária a interação de uma equipe multidisciplinar, como psicólogos, fisioterapeutas, neurologistas, reumatologistas, entre outros.
O paciente com DTM geralmente é um doente crônico que demora anos para buscar tratamento. “Como os sintomas são muito subjetivos e podem estar ligados a outros problemas médicos, como depressão, dificuldade visual, problemas otológicos, o dentista, muitas vezes, é o último profissional a ser procurado”.
Com uma avaliação clínica bem realizada, que conste de técnicas específicas de diagnóstico, o especialista em DTM irá explorar e analisar de uma maneira ordenada as queixas de dor de cabeça do paciente, recomendando o tratamento necessário não só na sua área como também encaminhando o paciente para outros profissionais. A terapia para o tratamento só é realizada após a avaliação conjunta e simultânea dos profissionais.
Antônio Sérgio Guimarães, cirurgião dentista especializado em DTM e responsável pelo Ambulatório da Doença do Hospital São Paulo (UNIFESP/EPM)
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Ranger dentes de noite é risco para saúde; entenda

É um mal da vida moderna. A irritação e o estresse do dia-a-dia prejudicam o sono e podem causar complicações ainda mais graves.
A solução é mudar alguns hábitos, como relaxar, esticar as costas. Isso ajuda a “soltar” a mandíbula, onde normalmente concentramos muita tensão. Um nervosismo que pode se manifestar à noite, atrapalhando nosso sono e nos deixando ainda mais irritados.
A bibliotecária Sueli da Silva Cripa descobriu que tinha bruxismo depois que quebrou um dente de tanto pressionar a arcada dentária durante a noite. “Acordo de manhã com dor na mandíbula, os dentes muito apertados. Sinto que apertei muito”, descreve.
O bruxismo é mais um mal comum na vida moderna. A correria do dia-a-dia, a ansiedade e, principalmente, o estresse agravam esta disfunção que muitas pessoas têm, mas nem sabem. Hugo Lewgoy, doutor pela Universidade de São Paulo (USP), explica que os danos para quem não cuida do bruxismo são crescentes.
“Bruxismo vai como dominó, no começo a pessoa não liga muito. Pensa que desgastou um pouquinho o dente, mas aquilo vai caminhando. Aí a pessoa sente o dente mole. No grau mais severo, pode causar problema na articulação. Estalo quando abre a boca”, explica o doutor em dentística Hugo Roberto Lewgoy.
A disfunção ocorre à noite. No Instituto do Sono, alguns pacientes que chegam com outras reclamações descobrem que têm bruxismo através do monitoramento.
“O próprio dia-a-dia do indivíduo vai fazer com que ele manifeste mais ou menos. Se está mais estressado, mais irritado, pode fazer mais ou não”, explica a especialista em medicina do sono Luciane de Mello Fujita.
Além do emocional, pode ter um fator hereditário e alterações na mordida também contam.
“Quando você tem um desequilíbrio, dente fora de posição, uma restauração mais alta, uma coroa, uma prótese desbalanceada – isso pode acabar gerando bruxismo”, alerta o dentista Hugo Lewgoy.
Os dentistas indicam para a maioria dos pacientes uma placa de acrílico. Ela ameniza os sintomas e controla o desgaste dos dentes durante o sono. Mudar alguns hábitos também pode ajudar, como escovar os dentes com escovas ultra-macias para não agredir ainda mais o esmalte do dente; não tomar bebidas que tenham cafeína e não fazer exercícios quatro horas antes de se deitar; e fazer um relaxamento antes de dormir.
“Vou tentando ir me desligando devagar, para tentar ter sono melhor mais tranqüilo”, explica a especialista em medicina do sono Luciane de Mello Fujita.
Além de prejudicar o sono, o bruxismo também pode causar enxaqueca e até problemas no pescoço e nas costas, por causa da tensão dos músculos da face. Nesta época de fim de ano, com as compras, os gastos, o trânsito, muita gente vai apresentar esse problema.

Fonte: Bom dia Brasil
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